A Alfa Romeo levou ao Salão de Paris 2026 um carro que muitos de seus admiradores gostariam de encontrar nas concessionárias. O Cuorerosso tem quatro portas, motor V6 biturbo e carroceria baixa, com proporções que lembram os tradicionais esportivos italianos. O problema é que a fabricante não tem planos confirmados para produzi-lo. Seu próximo lançamento anunciado é um SUV compacto, previsto para 2027.
Há uma diferença considerável entre os dois projetos. Enquanto o futuro SUV representa a ampliação da linha comercial, o Cuorerosso recupera características que ajudaram a construir a reputação da Alfa Romeo. A marca escolheu um esportivo com motor a combustão para apresentar sua próxima geração de carros, mesmo sabendo que esse modelo poderá nunca chegar às ruas.

O V6 de 2,9 litros com dois turbocompressores é conhecido dos atuais Giulia e Stelvio Quadrifoglio. No conceito, porém, não há potência divulgada. A Alfa Romeo trabalha com a possibilidade de acrescentar motores elétricos ao conjunto, inclusive com tração integral. Também admite configurações híbridas plug-in e totalmente elétricas para futuros projetos derivados dessa proposta.
O curioso é que o Cuorerosso não foi desenhado como um esportivo impossível de fabricar. Seus 4,70 metros de comprimento são próximos aos de um Tesla Model 3, embora os 2 metros de largura e a altura de apenas 1,30 metro deixem claro que a prioridade foi criar um automóvel baixo e largo. A carroceria tem quatro portas e o banco traseiro foi dimensionado para receber dois adultos.

A escolha por essa configuração aproxima o carro de um sucessor espiritual dos grandes sedans esportivos da marca, em vez de mais um supercarro de produção limitada. O Cuorerosso não tenta substituir o 33 Stradale, embora tenha semelhanças com ele na região traseira. Sua proposta é mostrar que ainda existe espaço para um Alfa Romeo capaz de transportar quatro pessoas sem recorrer à carroceria de SUV.
Parte desse trabalho poderá aparecer em veículos vendidos nos próximos anos. Os faróis triangulares, a grade Trilobo redesenhada e o emblema mais discreto fazem parte da nova identidade visual preparada pela equipe de Alejandro Mesonero. A carroceria também dispensa grandes peças de plástico preto brilhante e utiliza vidros alinhados às superfícies externas.

No interior, a Alfa Romeo tomou outra decisão interessante. Em vez de instalar uma tela enorme sobre o painel, desenvolveu instrumentos digitais que mudam de apresentação conforme o modo de condução. No programa Cruise, o motorista recebe informações voltadas à viagem. Nos modos Sport e Quadrifoglio, a exibição pode ser simplificada para priorizar os dados de condução.
A central multimídia fica integrada ao console, acompanhada de comandos físicos. A fabricante patenteou soluções desse sistema e admite utilizá-las em modelos de série, o que torna o interior uma das partes do Cuorerosso com perspectivas mais concretas de chegar ao mercado.

Já o destino do motor V6 é menos definido. A possibilidade de eletrificação permite que a Alfa Romeo mantenha opções de alto desempenho sem depender exclusivamente de motores a combustão. Isso não significa, entretanto, que o Cuorerosso receberá uma versão híbrida de produção ou que haverá um novo esportivo com seis cilindros nos próximos anos.
O SUV compacto de 2027 será um dos primeiros modelos a mostrar quanto desse trabalho terá aplicação comercial. Ele poderá incorporar elementos visuais e tecnologias desenvolvidas para o conceito, mas não há confirmação de que utilizará sua mecânica.

Para quem acompanha a Alfa Romeo, o Cuorerosso representa uma contradição bastante conhecida na indústria: os carros que melhor expressam a personalidade de uma fabricante nem sempre são aqueles que ela pretende vender. A marca conseguiu apresentar um esportivo de quatro portas com características de um automóvel utilizável, mas ainda precisa mostrar se pretende fabricar algo semelhante ou reservar essa identidade aos conceitos de salão.
Com informações da Stellantis.


