A BYD confirmou no Brasil o desenvolvimento de um motor híbrido plug-in flex, capaz de funcionar com gasolina e etanol, e deixou claro que a tecnologia não é promessa distante, ela existe e foi pensada para rodar aqui.
A montadora chinesa decidiu adaptar sua eletrificação à realidade brasileira, onde o etanol faz parte do dia a dia e influencia diretamente a escolha do carro. Em vez de insistir em um modelo importado de outros mercados, a BYD optou por desenvolver um sistema híbrido plug-in que aceita qualquer proporção de gasolina e álcool, mantendo funcionamento estável e previsível, sem exigir mudança de hábito do motorista.
O projeto nasceu a partir de visitas técnicas ao país e ganhou forma com um trabalho conjunto entre equipes do Brasil e da China. Mais de 100 engenheiros participaram do desenvolvimento, que levou cerca de dois anos desde a ideia inicial até um veículo funcional. A leitura foi simples: eletrificar no Brasil sem considerar o etanol seria ignorar o que o consumidor realmente usa.
Na prática, o sistema combina motor elétrico com um motor a combustão preparado para lidar com as diferenças químicas entre gasolina e etanol. Isso permite que o carro opere normalmente em qualquer mistura escolhida no abastecimento, sem o receio de desempenho irregular ou limitações de uso, um ponto sensível para quem roda muito e depende do carro no cotidiano.
A tecnologia também ajuda a explicar o peso do investimento industrial da BYD no país. A fábrica instalada na Bahia foi planejada para ir além da montagem, servindo como base para a produção em escala dessa nova geração de híbridos. A capacidade inicial anunciada é de 150 mil veículos por ano, com expansão prevista para 300 mil e, mais adiante, até 600 mil unidades, colocando o Brasil como peça estratégica fora da China.
O movimento chega em um momento em que os híbridos plug-in ganham espaço no mercado nacional. Em 2025, eles já representaram cerca de 35% dos veículos eletrificados vendidos no país. Para a BYD, oferecer um híbrido plug-in que conversa com o etanol não é apenas inovação, é uma forma direta de disputar volume e relevância.