O governo federal deu mais um passo no plano de reindustrialização verde com aumento escalonado das alíquotas para veículos eletrificados importados. A nova rodada de reajustes entrou em vigor em 1º de julho, como parte de uma política iniciada em 2023 pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex), com o objetivo de estimular a fabricação nacional de tecnologias limpas.
Pontos Principais:
Para os modelos híbridos, o tributo sobe de 25% para 30%. Os híbridos plug-in agora pagam 28%, frente aos 20% anteriores. Já os carros totalmente elétricos passam a recolher 18% de imposto de importação, contra os 10% cobrados até junho. A previsão é de que todos os segmentos alcancem a alíquota de 35% até julho de 2026, uniformizando o patamar.
A medida não é inédita e segue um cronograma previamente anunciado em novembro de 2023. Na ocasião, o governo justificou a reoneração como forma de proteger a indústria nacional diante da crescente concorrência externa, especialmente de veículos vindos da China. Desde então, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) tem defendido a aplicação integral do plano, cobrando celeridade do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Apesar do aumento, segue válida a política de cotas com isenção. Montadoras continuam autorizadas a importar modelos eletrificados sem pagar o imposto, desde que respeitem os limites anuais de valor estabelecidos. Essa isenção tem data para expirar: 30 de junho de 2026. Até lá, o governo tenta equilibrar a manutenção da oferta de carros verdes com a necessidade de criar um ambiente competitivo para a produção local.
O impacto do novo patamar tributário deve ser sentido diretamente nos preços de modelos como BYD Dolphin, Volvo EX30, Toyota Corolla Cross Hybrid e GWM Haval H6. Em alguns casos, a alta tributária poderá resultar em reajustes de dois dígitos já nas próximas semanas. Especialistas apontam que a continuidade da isenção parcial, via cotas, pode amenizar o repasse ao consumidor, ao menos no curto prazo.
Analistas do setor avaliam que o Brasil entra agora numa fase decisiva. De um lado, a pressão das montadoras para acelerar a nacionalização dos eletrificados; de outro, a estratégia do governo em utilizar os tributos como alavanca para atrair novas fábricas e centros de pesquisa. O desafio está em dosar as exigências sem inviabilizar o acesso da população à tecnologia sustentável.
A longo prazo, a expectativa é que os investimentos locais em mobilidade elétrica avancem, mas há um vácuo de curto prazo em infraestrutura, incentivos estaduais e desoneração para a cadeia produtiva. Sem ações coordenadas, o risco é que o encarecimento dos importados não se traduza automaticamente em ganho de escala para a indústria nacional.