BMW Série 4 deve seguir “raiz”; marca confirma motores V8 e V12 no futuro
A BMW decidiu não abandonar os cupês e já prepara a terceira geração do Série 4, com chances reais de conviver com versões a combustão e elétricas. A aposta vai contra a maré de queda global do segmento e segura, por mais tempo, a possibilidade de motores grandes, incluindo V8, no portfólio.
O movimento ajuda a explicar por que o atual Série 4, lançado em 2020, virou uma espécie de canivete suíço da marca: ganhou variações, abraçou estilos diferentes e abriu espaço para o i4, que até aqui é o elétrico mais vendido da BMW. Só que a fila anda. Com o futuro Série 3 elétrico (i3) se aproximando para tomar esse posto, a pergunta ficou inevitável, o Série 4 ainda faz sentido na transição?
Por que a BMW quer manter esse carro vivo 🚗
Em entrevista à Autocar, o chefe de engenharia da BMW, Joachim Post, tratou o tema como decisão de prateleira, não como nostalgia. O Série 4, segundo ele, segue peça importante pela esportividade e, principalmente, pela forma como a marca consegue colocá-lo na rua sem reinventar tudo do zero.
A explicação está na “sinergia de plataformas”, em português claro, aproveitar o que já existe. Um novo Série 4 não exige um investimento totalmente novo porque compartilha base e componentes com produtos como Série 3 e X4. Isso reduz custo, encurta caminho e permite que um cupê de menor volume sobreviva num mercado em que muita gente já saiu correndo.
Concorrentes recuam e o espaço fica mais vazio 🧭
O terreno ao redor também mudou. A Audi já retirou o A5 Coupé de linha. A Mercedes reorganizou o jogo ao unificar os antigos C Coupé e E Coupé no CLE. Com menos gente brigando pelo mesmo público, a BMW enxerga uma brecha para manter o Série 4 como uma vitrine de carro “de verdade”, aquele que compra pela vontade, não apenas pela planilha.
Menos rivais diretos pode significar mais fôlego para um cupê premium seguir em linha, mesmo com a demanda menor.
Duas arquiteturas, dois caminhos, combustão e elétrico ⚡
A próxima geração deve nascer em duas bases. A versão a combustão usará uma evolução da plataforma CLAR. Já a versão elétrica ficará sobre a nova arquitetura Neue Klasse, a mesma que dará origem ao futuro i3 e ao iX3. Essa base também já foi confirmada para o desenvolvimento do iM3, o que deixa no radar a possibilidade de um iM4 totalmente elétrico.
Na elétrica, a expectativa é de um conjunto semelhante ao do i3, com bateria de 108 kWh, opções de tração traseira ou integral e alvo de autonomia de até 800 km. É o tipo de número que muda conversa de corredor, quem hoje ainda hesita por alcance passa a discutir o que realmente importa, preço, recarga e rotina.
| Dado | O que está em jogo |
|---|---|
| 2020 | Lançamento da geração atual do Série 4 |
| CLAR | Base evoluída para a próxima versão a combustão |
| Neue Klasse | Arquitetura para a próxima versão elétrica, ligada a i3, iX3 e iM3 |
| 108 kWh | Capacidade de bateria esperada na elétrica |
| 800 km | Autonomia máxima visada |
| 3.0 seis em linha biturbo (S58) | Base do M3 e M4, com híbrido-leve e foco na Euro 7 |
M4 e a teimosia boa dos motores grandes 🔥
No lado esportivo, o motor seis cilindros em linha biturbo 3.0 (S58), que hoje sustenta M3 e M4, seguirá em cena com sistema híbrido-leve, já adaptado às exigências da Euro 7. Para quem dirige, isso costuma aparecer menos como discurso e mais como sensação, resposta pronta, força cheia, e a promessa de que o carro não vai virar peça de museu antes da hora.
Post ainda foi além ao confirmar que motores maiores, como V8 e até o V12 usado pela Rolls-Royce, devem durar mais do que muita gente apostava. Segundo ele, o investimento necessário para atender à Euro 7 é relativamente baixo para a BMW, o que permite manter alta cilindrada com ajustes, sobretudo no sistema de exaustão.


































