A Caoa Changan escolheu um caminho simples para colocar o CS55 no radar de quem procura um SUV novo no Brasil, porque em vez de cobrar preço de modelo médio tradicional colocou um carro de 4,55 metros, motor 1.5 turbo de 180 cv e porta-malas de 525 litros a partir de R$ 144.990, valor que joga o modelo no meio da compra de Volkswagen T-Cross, Hyundai Creta e Honda HR-V ao mesmo tempo em que suas medidas permitem encarar Jeep Compass e Toyota Corolla Cross.
O CS55 chegou poucos meses depois da estreia da Caoa Changan no país e passou a ocupar a parte mais barata da linha, com a versão Prime por R$ 144.990, a Infinity por R$ 154.990 e o PHEV por R$ 189.990 em pré-venda, enquanto Uni-T e CS75 ficam acima dele na tabela e ajudam a mostrar por que a empresa aposta no novo SUV como seu carro de maior volume.

A estratégia também passa pela produção nacional, porque o CS55 será montado em Anápolis, Goiás, na fábrica da Caoa que já produz modelos Caoa Chery, dentro de um plano que inclui a ampliação da rede de concessionárias, que conta com 37 lojas e tem previsão de chegar a 60 até o fim de 2026.
Motor 1.5 turbo leva o CS55 de 0 a 100 km/h em 7,8 segundos
Debaixo do capô está o motor 1.5 turbo flex de quatro cilindros, 16 válvulas e injeção direta usado também por Uni-T e CS75, com 180 cv a 5.000 rpm e 29,2 kgfm entre 1.500 e 4.000 rpm, ligado no CS55 a um câmbio automatizado de dupla embreagem com sete marchas e engrenagens banhadas a óleo, sempre com tração dianteira.
O conjunto precisa movimentar 1.466 kg, mas os números medidos mostram que falta de força não é o problema do SUV, que fez de 0 a 40 km/h em 2,5 segundos, chegou aos 80 km/h em 5,6 segundos, alcançou 100 km/h em 7,8 segundos e passou pelos 120 km/h em 10,6 segundos.
Nas retomadas, o CS55 foi de 40 a 80 km/h em 3,6 segundos, de 60 a 100 km/h em 4,7 segundos e de 80 a 120 km/h em 5,7 segundos, enquanto os 400 metros foram cumpridos em 15,8 segundos e os 1.000 metros em 28,8 segundos, trecho encerrado a 179 km/h.
O motorista pode escolher entre os modos Eco, Normal e Sport, embora a diferença entre eles não seja tão marcada na direção, na resposta do acelerador e no funcionamento do câmbio quanto os nomes sugerem.
O tamanho coloca Compass e Corolla Cross na conversa
O preço aproxima o CS55 de SUVs compactos, mas a fita métrica conta outra história, porque são 4,55 metros de comprimento, 1,87 metro de largura, 1,67 metro de altura e cerca de 2,65 metros de entre-eixos, com medidas que colocam o chinês muito perto da faixa ocupada por SUVs médios.
O comprimento supera o Jeep Compass em cerca de 15 centímetros e o Toyota Corolla Cross em aproximadamente 9 centímetros, enquanto o entre-eixos também fica cerca de 2 centímetros acima dos dois, diferença que aparece principalmente no espaço disponível para quem viaja atrás.
O porta-malas é outro número que chama atenção, com 525 litros pelo padrão VDA, iluminação interna, estepe temporário e tampa que pode ser aberta automaticamente com dois comandos na chave, dando ao CS55 uma capacidade de bagagem que vira um de seus argumentos mais fortes.
Existe uma conta escondida nesse espaço, porque a plataforma ARK já foi preparada para receber o conjunto híbrido plug-in e isso deixou o assoalho traseiro mais alto, fazendo os passageiros viajarem com menor apoio para as coxas apesar do bom espaço para cabeça e pernas.
Por dentro, quase tudo foi colocado nas telas

Quem entra encontra painel emborrachado, partes macias nas portas e no console central, bancos com revestimento que imita couro e duas telas que somam 24,9 polegadas, divididas entre um quadro de instrumentos de 10,3 polegadas e uma central multimídia de 14,6 polegadas.
Apple CarPlay e Android Auto funcionam sem fio, mas a central também concentra comandos que em outros carros ainda ficam em botões físicos, incluindo faróis, retrovisores externos, ar-condicionado de duas zonas, teto solar panorâmico, persiana elétrica, altura de abertura do porta-malas e ajustes dos assistentes de condução.
O console central é alto e separa bastante motorista e passageiro, tem uma parte inferior vazada com entradas USB tipo A e tipo C, carregador de celular por indução na parte superior e deixa a alavanca do câmbio na coluna de direção.
Ao selecionar a marcha a ré, entra em funcionamento uma câmera com visão de 540 graus e recurso de chassi transparente, enquanto atrás existem saída dupla de ar-condicionado, porta USB tipo A, apoio de braço central com dois porta-copos e acabamento em tecido nas portas.
Seis airbags e pacote ADAS entram na lista de equipamentos

O CS55 traz seis airbags, com bolsas frontais, laterais e de cortina, além de frenagem autônoma de emergência, alerta de colisão frontal, alerta de ponto cego, assistente de permanência em faixa e controle de cruzeiro adaptativo.
Os bancos dianteiros contam com ajustes elétricos e o teto solar panorâmico reforça a lista de itens da versão Infinity, enquanto as rodas aro 19 usam pneus 225/55 R19 que mantêm um perfil relativamente alto para a categoria.
A suspensão é independente, com McPherson na dianteira e multilink na traseira, uma solução que ajuda a explicar a prioridade dada ao conforto, enquanto a direção tem assistência elétrica e os freios usam discos ventilados na frente e sólidos atrás.
O conforto agradou, mas a frenagem virou o ponto mais delicado
Em piso liso de pista fechada o CS55 mostrou pouco balanço da carroceria para seu tamanho, manteve inclinações controladas em acelerações e frenagens mais fortes e apresentou bom isolamento de ruído, mas o pedal de freio chamou atenção por ser muito macio.
Os números reforçaram essa preocupação, porque o SUV precisou de 49,6 metros para parar completamente a partir de 100 km/h, 31,5 metros partindo de 80 km/h e 17,5 metros vindo de 60 km/h, enquanto um Jeep Compass usado como referência no mesmo tipo de teste havia parado em 43,6 metros a partir de 100 km/h.
Existe uma ressalva importante nessa medição, já que o exemplar avaliado tinha apenas 75 km rodados antes do teste e ainda estava praticamente novo, condição que pode influenciar o assentamento de componentes como pneus e freios.
Consumo de 10,4 km/l na cidade deixa a potência cobrar sua parte
O motor forte também pede combustível, com números oficiais do Inmetro de 10,4 km/l na cidade e 12,1 km/l na estrada com gasolina, média de 11,3 km/l e autonomia rodoviária indicada de até 665 km usando o tanque de 55 litros.
Em uma projeção de 30 km percorridos por dia em ambiente urbano, o gasto anual estimado com gasolina foi calculado em R$ 6.875, enquanto a primeira troca de óleo e dos filtros de óleo e ar deve ocorrer em um ano ou 10 mil km, conforme o que chegar primeiro.
As revisões seguem intervalos de 10 mil km ou 12 meses e a garantia para vendas no varejo é de sete anos ou 150 mil km, novamente valendo o limite que ocorrer primeiro.
O híbrido plug-in leva a potência para 286 cv
A família não termina nas versões somente a combustão, porque o CS55 PHEV já entrou em pré-venda por R$ 189.990 e combina uma versão do motor 1.5 turbo trabalhando em ciclo Miller com um propulsor elétrico instalado no eixo dianteiro.
O conjunto híbrido entrega 286 cv e 47 kgfm, utiliza bateria de 18,4 kWh e aceita recarga de até 6,6 kW em corrente alternada, enquanto a Caoa Changan declara consumo de até 42,2 km/l para essa configuração.
As entregas do PHEV não começaram junto com Prime e Infinity, por isso o comprador pode fazer a reserva mediante sinal enquanto as duas versões 1.5 turbo flex convencionais já ocupam as lojas.
Um carro chinês criado em 2017 agora tenta ganhar escala no Brasil
O CS55 nasceu na China em 2017, chegou à segunda geração e desembarca no Brasil já depois de uma atualização visual de meia-vida, acumulando mais de 1 milhão de unidades vendidas globalmente ao longo de nove anos e presença em cerca de 55 países.
Em alguns mercados do Oriente Médio ele recebe o nome Uni-S, enquanto no Brasil assume a missão de ser o Caoa Changan mais barato e também o produto encarregado de aumentar o volume da marca em uma faixa de mercado disputada por alguns dos SUVs mais conhecidos do país.
A dianteira usa uma grande grade sem moldura ligada visualmente aos faróis estreitos de LED, uma barra iluminada atravessa a frente e a traseira repete a ideia com lanternas unidas por uma faixa, para-choque volumoso e duas saídas de escapamento apenas decorativas.
O vão livre do solo é de 18,8 centímetros, medida que fica entre os 16,1 centímetros citados para o Corolla Cross e os 20,1 centímetros do Compass, deixando claro que o CS55 aposta mais em espaço, desempenho, equipamentos e preço do que em uma altura elevada para enfrentar pisos difíceis.
No papel e nos primeiros números de pista, os argumentos mais fortes ficaram no motor de 180 cv, no 0 a 100 km/h de 7,8 segundos, nos 525 litros de porta-malas, no espaço interno, no acabamento e na quantidade de equipamentos, enquanto consumo, altura do solo e principalmente a distância registrada nas frenagens aparecem como pontos que o comprador precisa colocar na conta antes de olhar apenas para os R$ 144.990 da versão de entrada.
Com informações de AutoEsporte e Webmotors.

0 comentários
Deixe um comentário