A Chery decidiu entrar de vez na briga das picapes médias com uma proposta pouco comum até para o mercado chinês. Depois da Himla, a fabricante avança no desenvolvimento de um segundo modelo, conhecido internamente como projeto KP31 e batizado na Austrália como Stockman, nome escolhido após votação pública com mais de 20.000 sugestões.
A caminhonete não tenta parecer apenas uma SUV com caçamba. Ela preserva a receita clássica do segmento, com chassi de longarinas, tração 4×4, caixa de transferência mecânica com reduzida e três diferenciais blocantes independentes, um dianteiro, um central e um traseiro. A diferença está no conjunto híbrido plug-in, que une eletrificação e motor diesel.
Enquanto parte das rivais escolhe outros caminhos, a Chery tenta falar com o consumidor mais tradicional de picapes. A Toyota adotou sistema híbrido leve na Hilux e também lançou uma versão elétrica. A Ford tem a Ranger PHEV com motor a gasolina, solução que também deve aparecer na nova Volkswagen Amarok feita na Argentina com conjunto mecânico da SAIC.
A Stockman segue outra lógica. O motor 2.5 biturbo a diesel trabalha em paralelo com um sistema elétrico no eixo traseiro. O propulsor térmico entrega 286 cv e 66,3 kgfm, com eficiência térmica anunciada de 47%, número ligado à tentativa de reduzir consumo. A bateria permite até 170 km de rodagem no modo totalmente elétrico.
| Item | Dados informados |
|---|---|
| Nome | Chery Stockman |
| Projeto | KP31 |
| Motor | 2.5 biturbo a diesel |
| Potência | 286 cv |
| Torque | 66,3 kgfm |
| Autonomia elétrica | Até 170 km |
| Carga | 1.000 kg |
| Reboque | 3.500 kg |
O pacote mostra por que a Oceania tem papel central na estratégia. O nome Stockman tem histórico na Austrália, onde já foi usado em uma picape baseada no Suzuki Jimny vendida entre 1970 e 2000. A região, assim como a América Latina, valoriza força, diesel e capacidade fora de estrada, embora a Chery ainda não tenha confirmado o modelo para o Brasil.
Construída sobre a plataforma Kaitan, a caminhonete mede 5,45 m de comprimento, 1,92 m de largura e 1,92 m de altura. Para comparação, a Toyota Hilux tem 5,33 m. A caçamba fica mais alta sobre o chassi para evitar que as caixas de roda invadam o compartimento de carga.
A Stockman tenta combinar a imagem robusta das picapes a diesel com a autonomia elétrica que virou argumento central nos novos utilitários chineses.
O visual tem linhas retas, grade dianteira larga e faróis de led circulares. Por dentro, a Chery aposta em acabamento de SUV, com tela dupla flutuante, volante de couro, seletor eletrônico, bancos aquecidos, ar-condicionado automático e teto solar panorâmico.
O lançamento global está previsto para o final de 2026, quando a Chery pretende testar se uma picape média a diesel, plug-in e 4×4 pode abrir espaço em mercados que ainda tratam caminhonete como ferramenta de trabalho.