Chery Fulwin X3L virou manchete mundial após falhar no desafio dos 999 degraus no Monte Tianmen. A marca tentou replicar o feito do Range Rover Sport, mas a manobra saiu do controle.
O SUV híbrido perdeu tração, deslizou, atingiu o guarda corpo e ficou travado por mais de duas horas. Um golpe duro para uma marca que tenta construir reputação global em tecnologia eletrificada.
O episódio importa porque revela os riscos de transformar engenharia em espetáculo. E, quando dá errado, o prejuízo vai além da lataria.
O Fulwin X3L iniciou a subida com confiança. A escalada de 45 a 60 graus exige força, software e tração impecáveis. Qualquer desvio provoca descontrole imediato.
A tração dianteira patinou. O SUV recuou. O impacto contra o guarda corpo interrompeu o trajeto e fechou o ponto turístico ao público. A cena correu o mundo em minutos.
A corda de segurança teria se soltado e enroscado na roda dianteira direita. Isso muda totalmente a leitura do torque e da distribuição eletrônica. O software interpreta resistência como perda de aderência e corta a força, criando um efeito cascata que derruba o veículo ladeira abaixo.
O Fulwin X3L usa arquitetura REEV. O 1.5 turbo funciona apenas como gerador, enquanto dois motores elétricos entregam 422 cv e 51,5 kgfm. Potência não faltava, mas torque instantâneo sem gerenciamento fino vira inimigo em superfícies irregulares.
A plataforma prioriza eficiência urbana, não desafios extremos. Tianmen pune qualquer sistema que não controle milimetricamente a variação de carga.
O desafio de Tianmen virou vitrine mundial em 2018. Desde então, cada tentativa carrega impacto direto na imagem da marca. A Chery reconheceu falha na avaliação de risco e prometeu reparar o monumento.
A busca por manchetes rápidas colocou o Fulwin X3L em uma arena onde só marcas com pedigree off road costumam pisar.
A Chery deve reforçar processos de avaliação de risco e calibrar melhor o uso técnico de seus SUVs em ações de marketing. O incidente não altera o avanço da marca no segmento eletrificado, mas cria uma cicatriz pública difícil de apagar. Tianmen continuará sendo o filtro que separa espetáculo de engenharia real.
Fonte: QuatroRodas e AutoEsporte.