O Chevrolet Captiva EV passou a ser montado no Brasil em um momento em que a disputa pelos SUVs eletrificados deixou de ser promessa e virou pressão industrial. A General Motors iniciou a produção do modelo em Horizonte, no Ceará, na antiga fábrica da Troller, agora operada pela Comexport, e transformou o local em uma vitrine de sua nova estratégia para enfrentar BYD, Geely e GWM.
A mudança não é apenas simbólica. Depois de apostar em elétricos importados dos Estados Unidos, a GM passou a usar produtos desenvolvidos com parceiros chineses para ganhar escala em segmentos nos quais as novas marcas asiáticas avançaram rápido. A montagem local reduz custos logísticos e antecipa uma reação antes que rivais chinesas ampliem sua nacionalização no Brasil.
Nesta primeira fase, o Captiva EV entra em produção pelo regime SKD. Os veículos chegam da China em grandes kits, com carrocerias já armadas e pintadas, e recebem a montagem final no Brasil. A fábrica recebeu R$ 400 milhões em investimentos, tem capacidade atual de 20.000 unidades por ano e projeta chegar a 80.000 unidades anuais.
O SUV divide a linha de montagem com o Chevrolet Spark EUV, outro elétrico da marca. A presença dos dois modelos no mesmo complexo mostra que a GM quer concentrar no Nordeste uma parte importante de sua operação eletrificada, em vez de depender apenas de importações prontas.
| Modelo | Dados informados |
|---|---|
| Chevrolet Captiva EV | Motor dianteiro de 201 cv, bateria de 60 kWh e autonomia de 304 km pelo Inmetro |
| Preço do Captiva EV | R$ 199.990 |
| Produção | Montagem SKD em Horizonte, no Ceará |
| Capacidade atual da fábrica | 20.000 unidades por ano |
| Capacidade projetada | 80.000 unidades por ano |
A grande pista do evento veio com Thomas Owsianski, presidente da GM América do Sul. O executivo confirmou que um terceiro carro será montado no Ceará até o fim do ano, mas não revelou qual será. O caminho mais evidente aponta para o Captiva PHEV, versão híbrida plug-in já vendida em mercados como Argentina e Uruguai e flagrada em testes no Brasil.
O futuro Captiva PHEV usa uma proposta diferente da versão elétrica. Em vez de depender só da bateria, combina motor 1.5 aspirado de 106 cv com um motor elétrico, entregando 204 cv de potência combinada. A vantagem sobre o Captiva EV é pequena em potência, mas a aposta está no alcance.
Seguindo os dados de outros mercados sul-americanos, a bateria de 20,5 kWh deve permitir 90 km no modo elétrico e mais de 1.000 km com o tanque abastecido. Para quem ainda desconfia da infraestrutura de recarga, essa configuração coloca o SUV em uma zona intermediária entre elétrico puro e carro a combustão.
O Captiva EV e o Captiva PHEV derivam do Wuling Starlight S, modelo chinês que dá origem à nova família de SUVs eletrificados da Chevrolet.
Com 4,74 m de comprimento e 2,80 m de entre-eixos, o Captiva é maior que SUVs médios conhecidos no Brasil, como Jeep Compass, de 4,40 m, e Toyota Corolla Cross, de 4,46 m. O pacote do híbrido deve seguir o nível do elétrico, com central multimídia de 15,6 polegadas, frenagem autônoma de emergência e câmera 360 graus.
A estreia oficial do Captiva PHEV no Brasil é esperada para o final de 2026. Com o elétrico vendido a R$ 199.990, a versão híbrida plug-in pode chegar em torno de R$ 170.000, enquanto a fábrica de Horizonte segue ampliando a montagem de modelos eletrificados no Ceará.