A Chevrolet apresentou em São Caetano do Sul o Novo Onix Track Day como ato final das comemorações de seus 100 anos no Brasil, transformando o modelo mais produzido da marca no país em um show car voltado exclusivamente para uso em autódromos, numa iniciativa que busca demonstrar capacidade técnica e reafirmar o protagonismo industrial da empresa no mercado nacional.
Desenvolvido pelo time brasileiro de engenharia e motorsport da General Motors, o conceito parte da nova carroceria do Onix e recebe motor 1.2 turbo com preparação específica para pista, associado a uma transmissão manual de seis marchas. A proposta, segundo a direção de engenharia da GM América do Sul, é explorar ao máximo componentes já existentes no portfólio da fabricante, adotando um acerto racional de conjunto e mostrando até onde é possível levar um hatch compacto quando o foco deixa de ser conforto e passa a ser desempenho em circuito fechado.
O conjunto mecânico inclui calibração dedicada, alterações em admissão e escape, suspensão rebaixada em 100 mm e novas rodas que ampliam as bitolas, medidas que, na prática, significam mais estabilidade em curvas e respostas mais diretas ao volante. A cabine também foi redesenhada com bancos tipo concha e cintos de cinco pontos, além da retirada de itens de acabamento, o que resultou em redução aproximada de 150 kg na massa total do veículo.
De acordo com estimativas divulgadas pela própria empresa, o conceito acelera de 0 a 100 km/h em menos de 8 segundos e pode completar uma volta no Autódromo de Interlagos próximo dos dois minutos, dependendo das condições de asfalto e clima. Esses números colocam o modelo em um patamar que dialoga com esportivos de maior porte, ainda que o projeto não tenha qualquer previsão de produção em série.
A escolha do Onix para encerrar o ciclo comemorativo não é casual. Produzido no Brasil e com mais de 3 milhões de unidades acumuladas ao longo de diferentes gerações, o hatch se tornou o carro mais fabricado da história da Chevrolet no país. Ao transformá-lo em um carro de pista, a fabricante associa o sucesso comercial a um discurso de competência técnica, conectando passado, presente e futuro da marca.
Visualmente, o conceito adota faixas amarelas no capô, teto e retrovisores, além de aerofólio e número 100 aplicado nas portas, referência direta ao centenário. O projeto também dialoga com um protótipo apresentado há uma década, que utilizava motor 1.8 aspirado de 150 cv, enquanto a versão atual aposta no 1.2 turbo de três cilindros, com torque elevado em baixas rotações, solução alinhada à evolução da engenharia automotiva.
Ao apresentar o Onix Track Day como manifesto técnico e emocional, a direção da GM América do Sul sustenta que o objetivo é valorizar a cultura de track day no Brasil, hoje mais estruturada do que há dez anos, e reforçar a imagem do modelo como referência de conectividade, eficiência e segurança. A estratégia também evidencia o esforço da companhia em manter relevância industrial em um momento de transformação tecnológica no setor automotivo.
O Novo Onix Track Day, portanto, não representa uma nova versão comercial, mas funciona como vitrine de engenharia e como síntese simbólica de um século de atuação da Chevrolet no Brasil, ao colocar o carro mais popular da marca em um ambiente que exige precisão, técnica e consistência mecânica.