O fim da produção do motor Fire no Brasil simboliza a conclusão de um dos capítulos mais marcantes da história automotiva nacional. Criado em 1985 na Europa, o propulsor chegou ao país em 2000 com a missão de substituir antigos conjuntos e rapidamente se tornou sinônimo de durabilidade, simplicidade e custo reduzido de manutenção.
Durante 25 anos, equipou modelos como Palio, Uno, Siena, Mobi e Fiorino, consolidando sua reputação como um motor robusto e acessível. Nas oficinas espalhadas pelo país, tornou-se referência em mecânica confiável, com peças abundantes e manutenção previsível. Muitos relatos de proprietários comprovam sua fama: unidades ultrapassaram 300 mil quilômetros sem intervenções graves, desde que respeitadas as revisões e o uso de fluidos adequados.
A Stellantis, controladora da Fiat, anunciou a aposentadoria definitiva em janeiro de 2025, quando o Proconve L8 entrou em vigor. A nova fase da legislação ambiental exigiu níveis de emissão mais rígidos, eletrônica avançada e sistemas de pós-tratamento que o veterano não poderia atender sem alto investimento em redesign.
O Fire já havia recebido ajustes ao longo dos anos, incluindo a versão Fire EVO lançada em 2010, com pistões, bielas e variador de fase modernizados. Essas melhorias garantiram sobrevida até a chegada do Proconve L7, mas o L8 impôs exigências incompatíveis com sua arquitetura original. A conta deixou de fechar, principalmente considerando o perfil de veículos que ele equipava: de entrada e comerciais leves.
A Fiat optou por concentrar a produção em motores Firefly de três e quatro cilindros, mais modernos, eficientes e compatíveis com normas globais. Modelos como Mobi e Fiorino migraram para essa família em 2025, marcando o encerramento oficial do Fire nos zero-quilômetro. Em paralelo, a marca prepara soluções híbridas e elétricas para manter competitividade em um mercado cada vez mais regulado e tecnológico.
Apesar de aposentado, o legado do Fire continua visível nas ruas brasileiras. Milhões de veículos seguem circulando, apoiados em um ecossistema de peças originais e paralelas acessíveis. Essa popularidade prolongada contribuiu para que o motor fosse parte fundamental da democratização do carro novo no Brasil, garantindo acessibilidade a famílias e pequenas empresas.
O impacto cultural e econômico do Fire é inegável. Ao longo de quatro décadas, tornou-se peça-chave na história da Fiat e referência para gerações de motoristas, mecânicos e consumidores que viam nele a combinação de robustez, economia e confiabilidade. Seu fim marca a transição definitiva para um novo ciclo tecnológico, mas sua importância permanece gravada na memória do mercado automotivo nacional.
Fonte: Stellantis, AutoEsporte e Wikipedia.