Em setembro de 2025, algo mudou no cenário das picapes brasileiras: a Fiat Toro, até então estacionada em posições médias, deu um salto impressionante de 62,7 % nas emplacamentos (de 3.181 para 5.174 unidades) e assumiu a terceira colocação entre as caminhonetes mais vendidas, superando a Toyota Hilux. Isso não apenas reflete um desempenho comercial vigoroso, mas também sinaliza uma guinada na preferência do consumidor.
Embora o segmento de caminhonetes pareça dominado há anos pela Fiat Strada, cuja supremacia é quase incontestável, esta movimentação evidencia que o mercado não está totalmente “congelado”. Entre agosto e setembro, todas as picapes no top 10 observaram aumento nas vendas — exceto a Renault Oroch —, com destaque também para a Volkswagen Saveiro, que saltou 52,2 %, e a Chevrolet Montana, que subiu 31,7 %. Mesmo modelos tradicionais como Ranger, S10, Ram Rampage e Triton registraram altas entre 13,9 % e 19,4 %.
No ranking de setembro, a ordem ficou assim: Strada em primeiro, com 13.876 unidades; Saveiro segundo, com 8.154; Toro em terceiro com 5.174; Hilux caiu para quarto, com 4.066; Ranger aparece em quinto, com 3.114; e S10, Ram Rampage, Montana, Triton e Oroch completam o top 10. A Hilux, que nos meses anteriores mantinha posição superior, agora vê sua trajetória postergada pela ascensão da rival italiana.
Mas não é só no mundo das vendas que a Toro começou a mostrar força: nas buscas online, ela entrou pela primeira vez no top 3 dos carros mais pesquisados do país, segundo o Webmotors Autoinsights. Isso revela um fenômeno paralelo: não basta vender bem, é preciso ser objeto de desejo e figura ativa no radar digital dos consumidores.
O curioso é que esse movimento duplo — comercial e digital — reforça que a Toro não está apenas crescendo por acaso, mas na convergência da produção, distribuição, apelo de marketing e percepção de valor. Uma picape que desperta cliques e engajamento online tem, em essência, uma vantagem simbólica além dos números frios de vendas.
A ascensão da Toro também convida reflexões: o que mudou para que ela acelerasse tão forte? Pode estar associada a reestilização ou novas versões (a matéria original cita que “começou a sentir os efeitos da reestilização”). A comunicação da marca também parece ter ressoado: fazer aparecer no topo das buscas não é trivial, requer estratégias digitais eficazes, conteúdo engajante e presença ativa nos canais de interesse do público.
Por fim, mesmo em um segmento historicamente conservador, a movimentação da Toro serve como alerta para as montadoras: quem não buscar relevância digital, oferta competitiva e resiliência frente à concorrência pode perder espaço rapidamente. A nova paisagem das picapes já não é mais dominada apenas por força mecânica — ela passa, cada vez mais, pela prova social e pelo interesse do consumidor conectado.
Fonte: Automaistv e iG.