Quando o Fiat Uno Mille Way 2013 saiu das concessionárias, muita gente já sabia que ele carregava consigo o peso de uma história. Era o último suspiro de uma geração que conquistou milhões de brasileiros desde os anos 80. Para muitos, o Mille era mais do que um carro: era um companheiro de estrada, de trabalho e de vida.
A versão Way trazia um tempero diferente. Suspensão mais alta, molduras plásticas nas caixas de roda e um ar de “aventureiro” que combinava bem com o Brasil de ruas esburacadas e estradas de terra. Quem dirigia sabia que não estava em um carro de luxo, mas em um sobrevivente pronto para enfrentar qualquer caminho.
Sob o capô, o motor 1.0 Fire cumpria seu papel. Eram 66 cv no etanol e 65 cv na gasolina, números simples, mas que, aliados ao baixo peso de 840 kg, garantiam mobilidade. Nas cidades, ele se virava bem, ágil entre os semáforos. Nas estradas, pedia paciência, mas devolvia em economia cada litro poupado.
E a economia sempre foi seu cartão de visitas. Na gasolina, fazia médias de até 15 km/l na estrada. No etanol, ainda mantinha números honestos. Para quem precisava rodar muito, seja para o trabalho ou para visitar a família no interior, o Uno era sinônimo de bolso aliviado.
Dirigir um Mille Way era uma experiência descomplicada. Câmbio manual de cinco marchas, embreagem leve e uma posição de condução sem frescuras. O conforto era básico, é verdade, mas a robustez da suspensão e a altura em relação ao solo transmitiam confiança. Quem já encarou uma rua alagada ou um atalho de terra com ele sabe do que se trata.
Com o tempo, os padrões mudaram. Airbags e freios ABS se tornaram obrigatórios, e o Mille saiu de cena em 2014. Hoje, essa ausência pesa na avaliação: quem procura segurança moderna precisa olhar para frente. Mas para quem valoriza mecânica simples e manutenção barata, o Mille continua imbatível.
No mercado de usados, os exemplares de 2013 ainda circulam com vitalidade. Custam entre R$ 25 mil e R$ 35 mil, e muitos aparecem bem cuidados, reflexo de um carro fácil de manter e difícil de quebrar. É comum ouvir histórias de motores Fire que cruzaram os 200 mil km sem reclamar.
Olhando para ele hoje, o Uno Mille Way 2013 é quase um retrato de outro Brasil. Um carro que se manteve atual pelo que tinha de mais simples: economia, resistência e versatilidade. Vale a pena para o dia a dia? Se o motorista souber o que está levando — um clássico duro na queda, mas sem luxo nem tecnologia — a resposta ainda pode ser sim.
Fonte: Stellantis e Webmotors.