O Fiat Uno Mille Economy 2012 é daqueles carros que sobrevivem ao tempo não por luxo, mas por pura teimosia e funcionalidade. Ele continua rodando pelas ruas brasileiras como se tivesse sido projetado para nunca morrer, um fósforo permanente num mercado automotivo que muda de moda a cada temporada. A estética quadrada e o acabamento cru já não impressionam ninguém, mas o apelo do carro é outro: custa pouco para comprar, menos ainda para manter e dificilmente deixa alguém na mão.
No mercado de usados, a tabela Fipe crava quase R$ 28 mil por um Uno Mille Economy 2012, um número que parece absurdo quando lembramos que o modelo foi concebido nos anos 80. Mas essa inflação de carro popular tem explicação: liquidez. Diferente de modelos mais sofisticados que ficam encalhados nas concessionárias de seminovos, o Uno vende rápido, justamente por ser simples e confiável. Quem compra sabe que não vai perder dinheiro tão cedo.
As contas anuais também são parte do charme. O IPVA em Minas Gerais fica pouco acima de R$ 1.100, o licenciamento mal passa de R$ 130 e o seguro gira em torno de R$ 1.400. Na ponta do lápis, a manutenção fixa dá algo em torno de R$ 220 por mês. Em um país em que até bicicleta tem prestações intermináveis, o Uno se mantém como um investimento modesto, quase uma poupança sobre rodas.
A lista de peças baratas também reforça a imagem de indestrutível. Um jogo de pastilhas de freio custa menos de R$ 80, discos dianteiros giram em torno de R$ 200 e até o kit de correia dentada, aquele terror das oficinas, não chega a R$ 150. É o tipo de carro que o dono não precisa abrir mão de pagar o aluguel para manter funcionando. O gasto total com manutenção preventiva mal chega a R$ 1.800, diluído em anos de uso.
No posto de combustível, o Uno mostra porque virou lenda. São 12,8 km por litro de gasolina em média, o que significa rodar 1.000 km por menos de R$ 500. Com o tanque cheio de 50 litros, dá para atravessar estados sem ter que parar toda hora. Claro, se a viagem for com cinco adultos no banco, prepare-se para malabarismos de espaço e muito barulho da carroceria vibrando. Conforto nunca fez parte do pacote.
O motor Fire 1.0 de até 66 cv pode parecer uma piada em tempos de SUVs turbinados, mas conversa bem com os 820 kg de carroceria. A arrancada até os 100 km/h leva quase 15 segundos, mas no trânsito urbano isso é irrelevante. A grande virtude está na agilidade para manobras rápidas, retomadas curtas e a sensação de que sempre vai dar conta de chegar.
Se o Uno Mille é amado pela robustez, também é criticado pelos limites claros. O acabamento interno é puro plástico rígido, o espaço traseiro é mínimo e o carro tem praticamente zero apelo em segurança. Ainda assim, a versão Way, com suspensão mais alta, virou queridinha de quem encara estradas de terra ou buracos urbanos sem drama. A lógica é simples: menos frescura, menos dor de cabeça.
Os rivais diretos até tentaram desbancar a reputação, mas nenhum conseguiu consolidar tanto carisma. O Gol, o Celta e o Clio oferecem alternativas na mesma faixa de preço, mas nenhum deles carrega a aura de carro que simplesmente não quebra. O Uno Mille 2012, mesmo com cara de relíquia, segue como um dos últimos resquícios da era em que carro popular era, de fato, popular. E esse talvez seja o seu maior patrimônio.
Fonte: Fotosdecarro.