“No trânsito castigado da periferia, o Fiat Uno Mille Economy Way 2013 ainda cumpre o papel de carro ferramenta, simples, leve e com vão livre que evita raspar em valeta. Eu compraria se a ideia for rodar muito gastando pouco, aceitar motor 1.0 fraco, interior básico e direção pesada. Não é carro para família nem para estrada rápida, e exige atenção a ar-condicionado, parte elétrica e acabamento frágil. Um leitor, Marcos, de Sorocaba, me perguntou, e minha resposta é direta: os donos elogiam economia e manutenção simples, mas as reclamações sobre conforto e segurança são recorrentes.”
O Fiat Uno Mille Economy Way 1.0 2013 costuma cruzar meu caminho quando alguém quer um carro barato que aguente desaforo. Não é paixão, é decisão prática. Quem me pergunta sobre ele geralmente já cansou de anúncio bonito e quer saber se dá para comprar hoje sem se arrepender amanhã.
Esse ano-modelo 2013 ficou conhecido por ser o Mille já amadurecido, com a suspensão Way levantada e a mecânica Fire no limite do que o projeto sabia fazer. Com 190 mm de altura do solo, ele passa por lombada torta e rua esburacada sem raspar, algo que vejo pesar muito na escolha de quem mora fora do asfalto perfeito. Não é charme, é sobrevivência urbana.
No volante, o motor 1.0 de 999 cm3 entrega 65 cv na gasolina e 66 cv no álcool, com 9,2 kgfm de torque a 2.500 rpm. Isso significa que ele sai com alguma disposição, mas cobra calma quando o pé fica pesado. A aceleração de 0 a 100 km/h em 14,7 s não surpreende ninguém, e a máxima de 153 km/h raramente entra na conversa do dia a dia.
O peso de 840 kg ajuda a não transformar cada semáforo em castigo. Ele anda porque é leve, não porque é forte. E quem dirige entende isso rápido.
Sempre deixo claro o que os números entregam na prática. Com álcool, ele faz cerca de 8,4 km/l na cidade e 9,5 km/l fora dela. Na gasolina, sobe para 12,1 km/l em percurso urbano e 13,6 km/l em estrada. O tanque de 50 litros garante boa autonomia para quem roda muito e odeia parar toda hora.
Esse é um dos poucos motivos que ainda fazem esse Uno aparecer como opção racional.
Quem compra precisa aceitar que o interior é simples. Há tomada de 12 V e termômetro do líquido de arrefecimento. O resto depende totalmente do antigo dono. Já vi carro sem ar e sem rádio, e outro com ar-condicionado, travas e vidros elétricos.
O porta-malas de 290 litros resolve compras e malas pequenas. Os cinco lugares existem, mas ninguém entra achando que vai viajar relaxado.
Aqui não tem como dourar a pílula. Esse Uno ficou limitado a 1 estrela em teste sem airbags. No 2013, o Mille normalmente roda sem airbags e sem ABS. Isso pesa na decisão, principalmente quando a pergunta envolve família ou uso frequente em estrada.
Sempre deixo isso explícito porque já vi compra virar arrependimento por causa desse detalhe ignorado.
Com os anos, surgem padrões. Evaporador do ar-condicionado vazando quando o carro tem o sistema, macanetas internas quebrando, luz de injeção acendendo e falhas elétricas são relatos comuns. Nada costuma ser catastrófico, mas ninguém deve comprar achando que vai passar ileso.
É um carro tolerante ao uso duro, não ao abandono.
Os custos fixos já dão uma boa noção. O IPVA gira em R$ 1.195 e o seguro em torno de R$ 1.703. Isso soma R$ 2.898 por ano antes de combustível, revisões e pneus.
A partir daí, tudo depende do estado do carro. Já vi Mille barato virar caro por falta de cuidado anterior.
Recomendo esse Uno para quem precisa de um carro simples, aguenta direção sem assistência, aceita acabamento básico e prioriza gasto controlado. Para esse perfil, o Mille Economy Way 2013 cumpre o papel.
Para quem busca silêncio, estabilidade em alta ou proteção moderna, a frustração chega rápido. Esse não é um carro que se adapta ao dono. O dono é que precisa se adaptar a ele.
No mercado de usados, ele enfrenta Gol 1.0, Celta 1.0 e Palio Fire 1.0. O Gol costuma parecer mais sólido, o Celta é ainda mais seco, e o Palio pode equilibrar melhor dependendo do estado.
Entre os novos, Mobi e Kwid entregam mais segurança e itens atuais, mas não têm essa mesma fama de conserto fácil e barato.
Se a pergunta é se vale a pena comprar hoje, a resposta depende do motivo da compra. Para quem quer economia, simplicidade e aceita abrir mão de segurança e conforto, ele ainda faz sentido.
Quem entende isso antes de assinar o recibo costuma conviver melhor com o Uno Mille. Quem ignora, quase sempre aprende do jeito difícil.
| Motor | 1.0 Fire, 4 cilindros, aspirado, flex |
|---|---|
| Potência | 65 cv (gasolina) / 66 cv (álcool) a 6.000 rpm |
| Torque | 9,1 kgfm (gasolina) / 9,2 kgfm (álcool) a 2.500 rpm |
| Câmbio | Manual de 5 marchas |
| Tração | Dianteira |
| 0 a 100 km/h | 14,7 s |
| Velocidade máxima | 153 km/h |
| Consumo urbano | 12,1 km/l (gasolina) / 8,4 km/l (álcool) |
| Consumo rodoviário | 13,6 km/l (gasolina) / 9,5 km/l (álcool) |
| Tanque de combustível | 50 litros |
| Autonomia urbana | até 605 km (gasolina) / 420 km (álcool) |
| Autonomia rodoviária | até 680 km (gasolina) / 475 km (álcool) |
| Comprimento | 3.693 mm |
| Peso | 840 kg |
| Porta-malas | 290 litros |
| Altura mínima do solo | 190 mm |