A Ford Ranger 2026 ocupa um lugar curioso no mercado brasileiro. Mesmo após a saída da montadora do país, a picape continua a ser um dos principais modelos da categoria, rivalizando com Toyota Hilux e Chevrolet S10. É um veículo que traduz a dualidade entre robustez e refinamento, entre tradição e reinvenção.
Produzida na Argentina, a Ranger chega ao Brasil em sete versões, todas com cabine dupla, tração 4×4 e uma proposta que vai além do simples trabalho pesado. Sua plataforma moderna oferece dirigibilidade confortável no uso urbano e desempenho sólido fora da estrada. Mesmo com a redução da rede de concessionárias, a Ford preserva uma base fiel de clientes, sustentada pela reputação de conforto e força da picape.
Entre os atributos mais celebrados está o espaço interno. O entre-eixos de 3.270 mm é o maior da categoria, garantindo conforto real aos ocupantes traseiros. A caçamba, com capacidade de 1.250 litros, também é uma das mais generosas do segmento, ultrapassando as rivais diretas. É um dos fatores que tornam a Ranger atraente para quem combina lazer e trabalho no mesmo veículo.
O conforto é outro diferencial. Apesar da suspensão semelhante à das concorrentes, a calibração é mais refinada e absorve melhor as irregularidades do asfalto. Na cabine, o acabamento revela cuidado com detalhes e uso de materiais agradáveis ao toque. Recursos como direção elétrica, controle automático de descidas e assistente de partida em rampas ampliam a sensação de segurança e praticidade.
No campo da tecnologia, a Ranger se posiciona entre as picapes mais completas do país. O painel digital, o sistema de conectividade e a possibilidade de tração seletiva reforçam sua vocação moderna. Há ainda expectativa pela futura versão híbrida plug-in, já confirmada para produção na Argentina, o que pode ampliar a eficiência e reposicionar o modelo diante das novas exigências ambientais.
Mas nem tudo é vantagem. O custo de manutenção e a escassez de peças ainda pesam contra o modelo. A importação limita a reposição rápida e encarece reparos simples. A rede de concessionárias, reduzida desde 2021, é outro obstáculo para proprietários de cidades menores. Relatos de demora em consertos e de falta de componentes reforçam a percepção de dificuldade no pós-venda.
As versões com motor 3.0 V6 são potentes e empolgantes, mas o consumo é alto: 8,9 km/l na cidade e 10,2 km/l na estrada, segundo o Inmetro. Já as variantes com o motor 2.0 turbodiesel de 170 cv entregam economia razoável, mas desempenho contido. A aceleração de 0 a 100 km/h em 12,1 segundos mostra que, em alguns cenários, a força dá lugar à moderação.
Fonte: Autoo e AutoEsporte.