Pajero TR4: ficha técnica, versões, preços e o que checar antes de comprar um exemplar usado

Publicado por em Mitsubishi dia
Pajero TR4: ficha técnica, versões, preços e o que checar antes de comprar um exemplar usado

O Mitsubishi Pajero TR4 saiu de linha em 2015, mas o mercado de usados não deixou o modelo esquecer. Em agosto de 2026, são 835 anúncios ativos espalhados pelo Brasil, com preço mediano de R$ 57.900 e Tabela Fipe mediana em R$ 55.098. Os anúncios estão 6,7% acima da Fipe em média, o que indica demanda ativa e vendedores com poder de barganha. O menor preço mediano por estado aparece no Distrito Federal, com R$ 47.445. A quilometragem mediana dos exemplares à venda é de 141.214 quilômetros, número esperado para um carro com até 23 anos de uso. O TR4 não é um usadinho jovem. É um clássico com comunidade ativa, peças disponíveis e uma reputação de durabilidade que justifica a demanda.

O que é o Pajero TR4

O Pajero TR4 saiu de linha em 2015, mas segue vivo entre quem procura um 4x4 compacto, robusto e sem frescura para enfrentar ruas e trilhas.
O Pajero TR4 saiu de linha em 2015, mas segue vivo entre quem procura um 4×4 compacto, robusto e sem frescura para enfrentar ruas e trilhas.

O Pajero TR4 foi desenvolvido pela Mitsubishi especificamente para o mercado brasileiro. Lançado em 2002 e produzido até 2015, o modelo combinou a plataforma do Pajero Full com uma carroceria compacta de duas portas, motor 2.0 e tração 4×4 selecionável. O resultado foi um SUV aventureiro com dimensões urbanas, capaz de encarar trilhas sem complicação e estacionar em vagas de shopping sem drama.

A proposta era clara desde o início: entregar capacidade off-road real em um pacote menor e mais acessível do que o Pajero Full, com custo de manutenção inferior ao dos SUVs importados da época. A Mitsubishi acertou na proposta, e o TR4 construiu uma base de fãs que persiste até hoje, mais de uma década depois do encerramento da produção.

Ficha técnica completa

Criado para o Brasil, o modelo juntou carroceria compacta, motor 2.0, câmbio automático e tração 4x4 com reduzida em um pacote raro.
Criado para o Brasil, o modelo juntou carroceria compacta, motor 2.0, câmbio automático e tração 4×4 com reduzida em um pacote raro.

O motor do Pajero TR4 ao longo de toda a sua produção foi o 2.0 SOHC de 16 válvulas, com potência de 131 cavalos com gasolina e 128 cavalos com álcool. O torque máximo é de 19,7 kgfm. O câmbio é automático de quatro marchas em todos os modelos, sem opção de câmbio manual em nenhuma versão produzida no Brasil. A tração é 4×4 selecionável com reduzida, o que significa que o carro roda em 2WD na maior parte do tempo e o motorista pode selecionar 4×4 High ou 4×4 Low conforme a situação exigir.

A suspensão dianteira é independente do tipo McPherson e a traseira é de eixo rígido com molas helicoidais. O freio dianteiro é a disco e o traseiro a tambor até os modelos mais antigos, com algumas versões mais novas recebendo freio a disco nas quatro rodas. A direção é hidráulica. O tanque de combustível tem capacidade de 55 litros. O porta-malas tem capacidade de 207 litros com os bancos traseiros dobrados e pode ser expandido com o rebatimento do banco, gerando espaço significativo para o porte do carro.

As versões que existiram

Na cidade, o porte ajuda a estacionar. Fora do asfalto, eixo traseiro rígido e tração selecionável explicam por que ele ainda tem fãs.
Na cidade, o porte ajuda a estacionar. Fora do asfalto, eixo traseiro rígido e tração selecionável explicam por que ele ainda tem fãs.

O Pajero TR4 foi vendido em diferentes configurações ao longo dos seus 13 anos de produção, com equipamentos que variaram conforme o ano. As versões de entrada tinham ar-condicionado, direção hidráulica e travas elétricas como equipamentos de série. As versões mais equipadas adicionaram airbags frontais, freios ABS, sensor de estacionamento traseiro, teto solar, rodas de liga leve e central multimídia com GPS. A versão HPE, disponível nos últimos anos de produção, foi a mais equipada e hoje é a mais valorizada no mercado de usados, chegando a ser negociada entre R$ 60 mil e R$ 70 mil dependendo do estado de conservação.

A partir de 2009, o TR4 recebeu atualização visual com para-choque redesenhado, nova grade e lanternas traseiras modificadas, além de melhorias de equipamento no interior. Essa versão pós-facelift é geralmente preferida no mercado de usados pela estética mais moderna e pela melhor lista de equipamentos de série.

Os preços por ano na Tabela Fipe

A Tabela Fipe de junho de 2026 registra sete variantes do Pajero TR4, cobrindo os anos de produção de 2003 a 2015. Os modelos mais antigos, de 2003 a 2006, aparecem a partir de R$ 30.985. Os anos intermediários, entre 2008 e 2011, ficam na faixa de R$ 40 mil a R$ 50 mil. Os modelos mais recentes, de 2013 a 2015, são os mais caros na tabela e ficam entre R$ 55 mil e R$ 65 mil dependendo da versão. A versão HPE dos últimos anos de produção tende a superar a referência da Fipe no mercado real, especialmente quando está bem conservada e com quilometragem abaixo de 100 mil quilômetros.

O comportamento do preço do TR4 no mercado de usados é estável, sem quedas bruscas de valor. Diferente de modelos populares que perdem valor de forma mais acelerada com os anos, o TR4 mantém uma cotação relativamente consistente porque a demanda é fiel e o estoque não cresce: a produção encerrou em 2015 e cada exemplar que sai de circulação reduz o estoque disponível sem reposição.

O que checar antes de comprar

Antes da compra, câmbio, tração, suspensão, assoalho e paralamas exigem atenção. Negligência pode transformar robustez em gasto.
Antes da compra, câmbio, tração, suspensão, assoalho e paralamas exigem atenção. Negligência pode transformar robustez em gasto.

O TR4 é um carro robusto, mas tem pontos de atenção específicos que o mercado de usados identificou ao longo de anos de negociação. A caixa de câmbio automático é o componente que mais preocupa em exemplares com alta quilometragem. O câmbio automático de quatro marchas do TR4 é confiável quando bem mantido, mas exige troca de óleo dentro do prazo. Um câmbio com solavancos nas trocas de marcha ou hesitação ao sair do lugar indica manutenção negligenciada ou desgaste que pode resultar em reparo caro.

O sistema de tração 4×4 deve ser testado durante a visita. Engaje o 4×4 High, faça uma curva e verifique se o sistema funciona sem barulhos ou travamentos. Depois teste o 4×4 Low em velocidade mínima. Um sistema de tração que não engaja corretamente ou que faz barulhos ao ser acionado indica problemas na caixa de transferência que podem ser custosos de resolver.

A suspensão traseira, com eixo rígido, sofre desgaste nas molas e nas buchas do diferencial traseiro em exemplares que foram usados intensamente fora de estrada. Inspecione visualmente os componentes por baixo do carro e faça um test drive em piso irregular para identificar barulhos de suspensão.

O assoalho e os paralamas inferiores são as áreas mais sujeitas à ferrugem, especialmente em exemplares do Sul e Sudeste que rodaram em cidades com umidade alta. Verifique essas áreas com atenção e leve uma lanterna para inspecionar pontos que a inspeção visual de superfície não alcança.

A vistoria cautelar é recomendada em qualquer exemplar, especialmente nos mais antigos com mais de 150 mil quilômetros. O TR4 é um carro que foi muito usado fora de estrada, e alguns exemplares têm histórico de impactos nas partes baixas da carroceria que não aparecem na pintura, mas estão registrados nos painéis inferiores.

Vale a pena comprar em 2026

Para quem quer tração 4×4 real, câmbio automático e dimensões compactas em um orçamento de R$ 50 mil a R$ 65 mil, o Pajero TR4 segue sendo uma das opções mais completas disponíveis no mercado de usados brasileiro. O custo de manutenção é razoável, as peças têm boa disponibilidade nas redes de autopeças e a comunidade de proprietários é ativa, o que facilita a troca de informações e a localização de soluções para problemas específicos.

O TR4 não é o carro mais moderno, mais econômico nem mais confortável do segmento de SUVs compactos usados. É o que entrega tração 4×4 com reduzida, câmbio automático e robustez comprovada por duas décadas de uso no mercado brasileiro por um preço que concorrentes com proposta similar raramente conseguem igualar. Para quem entende o que está comprando, é um bom negócio. Para quem não faz a vistoria e não testa o sistema de tração antes de fechar, pode ser uma surpresa desagradável no fim do mês.

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Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.

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