A Ram está se preparando para colocar mais um nome na disputa das picapes médias. E não é um nome qualquer: Dakota. O projeto não surgiu do nada. Ele vem de uma base que já rodou pelo mundo — a mesma da Fiat Titano e da chinesa Changan Hunter —, lapidada dentro da Stellantis com um investimento de US$ 385 milhões.
A linha de produção será a de Córdoba, na Argentina, que já monta a Titano. Por dentro da ficha técnica, o motor é um 2.2 turbodiesel com 200 cv e 45,9 kgfm, ligado a um câmbio automático de oito marchas e tração 4×4 com reduzida e modo automático. Não é a receita mais exótica, mas é robusta o suficiente para encarar asfalto, terra e qualquer estrada de interior.
O design externo tenta deixar claro que não se trata de apenas trocar o logotipo. A frente tem o DNA Ram — grade larga, faróis redesenhados e postura mais imponente. As lanternas e a tampa da caçamba também são exclusivas, mesmo que por baixo muita coisa ainda seja igual à Titano.
O interior ainda é um mistério. Pode herdar o painel moderno da Hunter, com duas telas e visual limpo, ou ganhar um layout próprio para justificar a assinatura Ram. Nesse segmento, a cabine é cartão de visitas e argumento de venda. Um erro ali pode custar vendas.
O cronograma é controlado: estreia na Argentina em dezembro de 2025, e só depois cruza a fronteira para o Brasil, no início de 2026. Esse respiro dá tempo para preparar concessionárias, ajustar marketing e evitar atropelos com outros lançamentos do grupo.
Dentro da Stellantis, a base da Hunter virou uma espécie de plataforma global. Já foi Peugeot Landtrek, Fiat Titano e até Ram 1200 em alguns países. A Dakota, no entanto, quer evitar o estigma de “carro rebatizado” e se posicionar como produto com personalidade própria.
O motor turbodiesel é aposta para enfrentar concorrentes de peso como Toyota Hilux, Ford Ranger e Chevrolet S10. Potência e torque não faltam, e a tração integral com reduzida mantém o discurso off-road vivo — mesmo que, na prática, a maioria das unidades passe mais tempo em áreas urbanas.
A chegada ao Brasil reforça a presença da Ram em diferentes nichos. Hoje, a marca atua nas extremidades do mercado, com gigantes como as 2500 e 3500 de um lado e a menor Rampage do outro. A Dakota ocupa o espaço intermediário, que ainda tem espaço para crescimento.
O preço e o pacote de equipamentos vão definir o destino do modelo. Quem compra picape média hoje quer força para o trabalho, mas também espera conforto, segurança e tecnologia. É um equilíbrio delicado que separa sucesso de fracasso.
Resgatar o nome Dakota adiciona um elemento de nostalgia. A antiga picape da Dodge fez parte do cenário brasileiro e volta agora com outra proposta. A missão é manter a tradição, mas entregar um pacote que fale a linguagem atual do consumidor, de olho em quem quer algo que vá além da força bruta.
Fonte: Stellantis.