O Toyota SW4 sobrevive firme em um mercado que mudou completamente. Enquanto a maioria dos SUVs se rende ao conforto urbano e à pegada mais “família de shopping”, o veterano da Toyota segue fiel à essência de um utilitário de verdade. Montado sobre chassi de longarina, com motor turbodiesel e tração 4×4, o modelo continua sendo a escolha de quem prioriza força, confiabilidade e espaço para sete ocupantes, mesmo custando caro.
A linha 2025 chega com poucas mudanças, mas importantes. O motor 2.8 turbodiesel de 204 cavalos foi recalibrado para atender às normas ambientais Proconve L8, agora com filtro de partículas e tanque de ureia Arla 32. A novidade mais relevante está fora do capô: o programa Toyota 10 amplia a garantia para até 10 anos, algo raro no segmento e que reforça a imagem de robustez que o SUV carrega há décadas.
Por dentro, o SW4 mistura conforto e tradição. A central multimídia de 9 polegadas, compatível com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, tenta disfarçar o projeto mais antigo, que ainda exibe detalhes em madeira e um relógio digital à moda antiga. Mas o acabamento segue caprichado e o espaço interno continua sendo um dos grandes trunfos do modelo, especialmente para famílias grandes que precisam de um carro que encare tanto o asfalto quanto o barro.
O motor 2.8 turbodiesel entrega 204 cavalos e 50,9 kgfm de torque, combinado ao câmbio automático de seis marchas com trocas manuais por aletas. É uma receita simples e eficaz, voltada mais para resistência do que para desempenho. A tração 4×4 com reduzida e bloqueio de diferencial garante fôlego nas situações mais difíceis, seja rebocando, cruzando estradas de terra ou enfrentando ladeiras íngremes.
Na cidade, o SW4 exige paciência: o porte avantajado e a direção hidráulica pesada pedem calma nas manobras. Em compensação, transmite solidez rara. É um carro que parece indestrutível, daqueles que passam sensação de segurança mesmo em velocidade de cruzeiro na estrada. O consumo, para o que entrega, é razoável: faz cerca de 9 km/l na cidade e 11 km/l na estrada.
Quem entra no SW4 entende por que ele ainda tem público fiel. O espaço é generoso, o acabamento é de boa qualidade e há equipamentos que o mantêm competitivo. A segunda fileira tem saídas de ar-condicionado independentes, e o entre-eixos de 2,74 metros garante conforto de sobra.
Os dois assentos extras no porta-malas, rebatíveis nas laterais, ajudam em emergências, mas reduzem o espaço útil de bagagem de 500 para 180 litros.
O Toyota Safety Sense é outro ponto forte. O pacote de assistências traz frenagem automática de emergência, alerta de mudança de faixa e ACC, recursos que aumentam a segurança e ajudam a justificar o preço alto.
A estética do SW4 continua imponente, com faróis afilados em LED, rodas de liga leve aro 18 e carroceria de traços musculosos. Nada de exageros: o visual é funcional e passa a sensação de resistência. A adaptação ao novo padrão ambiental trouxe apenas mudanças técnicas — o SUV manteve os mesmos números de potência e torque, mas ficou um pouco mais refinado no funcionamento.
Produzido na Argentina, o modelo chega em três versões: SRX Platinum de cinco lugares, SRX Platinum de sete lugares e SRX Diamond, também com sete lugares. Todas compartilham o mesmo conjunto mecânico, variando apenas no acabamento e nos equipamentos.
Mesmo custando acima de R$ 400 mil, o SW4 segue líder entre os SUVs grandes. Parte do sucesso vem do perfil do comprador: muitos usam o carro no trabalho, no campo ou em viagens longas, e valorizam o histórico de confiabilidade da Toyota. É um público que não se impressiona com telas gigantes ou comandos por voz, mas quer um carro que não o deixe na mão.
A nova garantia de 10 anos reforça essa relação de confiança e coloca pressão sobre os concorrentes. E, embora o futuro dos utilitários a diesel pareça incerto diante da eletrificação, a Toyota trabalha em soluções híbridas para manter o SW4 relevante nos próximos anos.
Enquanto isso, o veterano japonês segue firme. Em um mar de SUVs urbanos, ele é o último representante de uma linhagem cada vez mais rara: a dos utilitários que ainda fazem jus ao “U” da sigla.
Fonte: Toyotacomunica.