A Toyota vive um de seus momentos mais críticos no Brasil. Um vendaval que atingiu a unidade de Porto Feliz (SP) arrancou telhados, retorceu estruturas metálicas e inundou áreas de produção, comprometendo não apenas a integridade da fábrica, mas também a linha de fornecimento de motores para os modelos Corolla, Corolla Cross e o aguardado Yaris Cross. Imagens divulgadas nas redes sociais revelaram o cenário de destruição: galpões expostos à chuva, máquinas molhadas e veículos danificados.
A decisão da montadora foi imediata: férias coletivas emergenciais para 5,7 mil trabalhadores de suas três unidades no país — Porto Feliz, Sorocaba e Indaiatuba. A medida terá início em 21 de outubro, com duração prevista entre 60 e 150 dias. Trabalhadores com salários de até R$ 10 mil terão 100% do pagamento assegurado, além da manutenção de benefícios como plano de saúde e vale-alimentação.
A proposta precisa ainda ser votada pelos sindicatos, mas a paralisação total das atividades parece inevitável. Isso porque a fábrica de Porto Feliz é responsável por fornecer motores às demais linhas de montagem no Brasil. Sem esse elo, a produção de veículos fica travada, expondo a vulnerabilidade de uma cadeia concentrada em um único polo.
O impacto atinge diretamente o Yaris Cross, modelo estratégico para a Toyota no país. O SUV híbrido-flex, anunciado em 2021 e aguardado desde 2024, já acumula uma cronologia de atrasos. Primeiro, foi o escândalo de manipulação de testes na subsidiária Daihatsu. Depois, ajustes no motor híbrido-flex exigiram adaptações de engenharia. Agora, o desastre natural coloca em risco o lançamento confirmado para outubro de 2025.
Para lidar com a emergência, a Toyota estuda importar motores de plantas nos Estados Unidos, Polônia, Tailândia e Japão. Trata-se de um plano de contingência criado após o tsunami de 2011, que devastou unidades japonesas da marca. A estratégia global pode permitir que o Brasil retome a produção antes de 2026, evitando maiores prejuízos e assegurando o fornecimento regional.
Enquanto isso, em Porto Feliz, cerca de 800 trabalhadores vivem a incerteza de quando poderão voltar ao chão de fábrica. O sindicato confirmou que, inicialmente, será utilizado o banco de horas, seguido das férias coletivas e, posteriormente, do regime de layoff. A promessa, até agora, é de preservação de empregos e salários, mesmo diante do cenário adverso.
A tempestade, com ventos próximos de 100 km/h, deixou ainda dez feridos leves. Especialistas lembram que rajadas acima de 117 km/h já são classificadas como tornados. Se no Japão a Toyota precisou criar protocolos de sobrevivência industrial, em São Paulo o desafio agora é adaptar esses mecanismos à realidade local. O resultado é uma operação paralisada, uma cadeia fragilizada e a iminência de mais um adiamento de um dos carros mais aguardados do mercado.
Fonte: Automaistv e Terra.