Toyota estuda importar motores após vendaval parar fábricas no Brasil

Tempestade destruiu fábrica de motores em Porto Feliz e forçou Toyota a suspender produção de Corolla, Corolla Cross e rever o lançamento do Yaris Cross no Brasil.
Publicado por em Toyota dia | Atualizado em

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Um vendaval com ventos que podem ter ultrapassado 100 km/h atingiu Porto Feliz (SP) em 22 de setembro e destruiu grande parte da fábrica de motores da Toyota. O galpão teve o telhado arrancado, estruturas metálicas retorcidas e até um carro foi capotado pelo impacto da ventania. O episódio provocou a suspensão imediata da produção nas unidades de Sorocaba e Indaiatuba, responsáveis pela montagem de Corolla e Corolla Cross, modelos de maior relevância comercial da marca no país.

Pontos Principais:

Dez funcionários ficaram feridos de forma leve, todos conscientes e encaminhados para atendimento. Apesar da gravidade dos estragos materiais, não houve fatalidades. A tempestade fez parte de uma frente fria que também causou danos em municípios vizinhos, como Itu, Salto, Tietê e Sorocaba, mas a situação em Porto Feliz foi considerada a mais crítica.

O Yaris Cross, aposta da marca para 2025 como SUV híbrido de entrada, teve seu lançamento adiado por tempo indeterminado após a crise em Porto Feliz.
O Yaris Cross, aposta da marca para 2025 como SUV híbrido de entrada, teve seu lançamento adiado por tempo indeterminado após a crise em Porto Feliz.

O impacto direto da paralisação em Porto Feliz afetou o planejamento estratégico da Toyota para o mercado brasileiro. A marca já havia programado o lançamento do Yaris Cross para outubro, posicionando o SUV como aposta para disputar a faixa de híbridos compactos mais acessíveis. Com a fábrica de motores inoperante, o cronograma precisou ser revisto, comprometendo a estratégia de renovação do portfólio.

Para evitar que as linhas de Sorocaba e Indaiatuba permaneçam paradas por meses, a Toyota iniciou tratativas para importar motores de outras unidades da empresa ao redor do mundo. A medida emergencial busca manter o fluxo de produção até que Porto Feliz seja reconstruída, processo que, segundo a própria companhia, demandará vários meses de trabalho.

Além de mapear fornecedores internos do grupo, a montadora abriu negociação com sindicatos para garantir a manutenção dos empregos de colaboradores das três plantas. As propostas foram apresentadas aos trabalhadores para votação, e a empresa sinalizou a aplicação imediata das medidas emergenciais após aprovação. O diálogo sindical é parte central da estratégia para reduzir impactos sociais do desastre.

As consequências da interrupção em Porto Feliz ilustram a vulnerabilidade de cadeias produtivas integradas. Com uma única unidade centralizada na produção de motores, a Toyota expôs dependência crítica de um polo específico. O episódio reacende o debate sobre diversificação e resiliência industrial, sobretudo diante de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.

A crise ocorre em um momento de intensa competitividade no setor automotivo brasileiro, com novos SUVs compactos e médios chegando ao mercado, além da pressão de marcas chinesas que ampliam presença com modelos eletrificados. Manter a produção de Corolla, Corolla Cross e garantir o futuro do Yaris Cross será decisivo para preservar participação da Toyota no país em 2025.

Fonte: UOL e Toyotacomunica.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.