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Volkswagen responde na Justiça por trabalho análogo à escravidão durante ditadura militar

No Pará, Volkswagen é julgada por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão entre 1974 e 1986, na Fazenda Vale do Rio Cristalino. O MPT cobra indenização de

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A Volkswagen do Brasil está no centro de um julgamento na Vara do Trabalho de Redenção, no Pará, por supostas práticas de trabalho análogo à escravidão na Fazenda Vale do Rio Cristalino durante a ditadura militar. A ação do Ministério Público do Trabalho (MPT) acusa a montadora de ter permitido que funcionários vivessem em condições degradantes, sem acesso a água potável e assistência médica, sendo submetidos a vigilância armada e endividamento forçado.

Entre os anos de 1974 e 1986, trabalhadores da fazenda eram forçados a adquirir alimentos, ferramentas e vestimentas com os próprios salários, gerando dívidas impagáveis que os prendiam ao trabalho. Segundo o MPT, essa situação configurava clara violação aos direitos humanos, agravada pelo uso de “gatos” para gerenciar e submeter os empregados. A ação civil pública movida cobra R$ 165 milhões em indenizações por danos morais coletivos e exige um pedido público de desculpas.

Na década de 1970, a Volkswagen iniciou atividades agropecuárias e extrativistas na Fazenda Vale do Rio Cristalino, no Pará, que virou alvo de investigação por trabalho escravo.

Além disso, o Ministério Público do Trabalho pede a implementação de mecanismos de prevenção para evitar reincidências, como canais de denúncia, protocolos de combate ao trabalho escravo e fiscalização contínua na cadeia produtiva da Volkswagen. A denúncia tem origem em documentação recebida pelo MPT em 2019, que detalhou como a Fazenda Volkswagen ocupava 140 mil hectares na região amazônica, com incentivos fiscais do governo.

A investigação do MPT resultou em um processo formalizado em dezembro de 2024, a partir de depoimentos e documentos que, segundo o procurador Rafael Garcia Rodrigues, comprovam as violações cometidas pela Volkswagen naquele período. O caso reacendeu debates sobre o papel de grandes empresas no desrespeito aos direitos trabalhistas e a responsabilidade social em suas operações.

Por sua vez, a Volkswagen nega categoricamente todas as acusações e destaca que a ação judicial não reflete seu compromisso histórico de 72 anos no Brasil. Em comunicado, a montadora reafirma seu compromisso com a dignidade humana e com a estrita observância das leis trabalhistas vigentes, posicionando-se como uma das maiores empregadoras do país e como defensora da responsabilidade social.

No texto, a Volkswagen destaca ainda a confiança que deposita no sistema jurídico brasileiro e reitera sua busca por justiça no caso. A empresa afirma que seguirá colaborando com as investigações e reforça que atua dentro dos parâmetros legais, garantindo o respeito aos direitos fundamentais de todos os seus trabalhadores no Brasil.

O desfecho do julgamento pode marcar um importante precedente para a reparação histórica e para a responsabilização de grandes corporações por crimes trabalhistas cometidos durante a ditadura militar. A ação, ao mesmo tempo, destaca a necessidade de políticas eficazes de prevenção a violações de direitos humanos no meio corporativo.

Fonte: AutoEsporte e Gov.

Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.

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