O Brasil alcançou em 2025 a marca de quase 41 milhões de pessoas habilitadas para conduzir motocicletas. O dado representa aproximadamente 20% da população, conforme números da Senatran e projeções do Censo. Essa quantidade expressiva revela não apenas a popularização dos veículos de duas rodas, mas também uma transformação profunda no perfil dos condutores.
Em pouco mais de uma década, o volume de habilitações praticamente dobrou. O que chama ainda mais atenção, porém, é o salto no número de mulheres autorizadas a pilotar. O total saltou de 6 para 10 milhões em dez anos, com um crescimento de cerca de 70%, ritmo que superou com folga a média nacional. Isso indica uma mudança estrutural nos hábitos de mobilidade no país.
As habilitações consideradas incluem todas as categorias que permitem a condução de motos, seja exclusivamente esse tipo de veículo ou em conjunto com outros, como carros, caminhões, ônibus e carretas. A presença da letra A em qualquer uma das combinações já autoriza o uso de motocicletas, independentemente de cilindrada.
Em regiões urbanas e rurais, a moto deixou de ser apenas um meio prático de transporte e passou a ocupar também espaço como símbolo de autonomia e liberdade. O aumento da presença feminina nesse universo mostra um movimento gradual, mas contínuo, de quebra de barreiras sociais e culturais no trânsito.
Relatos coletados ao redor do país revelam trajetórias diversas. Muitas mulheres passaram a pilotar por necessidade — seja para locomoção ou por razões profissionais. Outras descobriram nas duas rodas uma forma de lazer, pertencimento e estilo de vida. O ingresso em motoclubes, viagens longas, personalização dos veículos e o sentimento de independência ganharam espaço no cotidiano.
Mesmo com o crescimento, persistem desafios. Medo de acidentes, violência urbana e infraestrutura deficiente continuam sendo fatores citados com frequência por quem pilota. Histórias de quedas, sustos e situações de risco são comuns, mesmo entre quem nunca sofreu lesões graves. A sensação de vulnerabilidade acompanha a liberdade, especialmente em cidades grandes.
As experiências pessoais reforçam a ideia de que a moto no Brasil é mais do que um veículo. Ela se tornou, para muitos, uma extensão da identidade e da rotina. E embora o país ainda enfrente limitações estruturais e culturais no que diz respeito à segurança e à equidade viária, o avanço no número de condutores — especialmente mulheres — aponta para uma tendência que já é realidade.