Em meio às incertezas provocadas pelo agravamento da guerra no Oriente Médio, o governo federal decidiu antecipar uma medida que já vinha sendo planejada: o aumento da mistura de biocombustíveis na gasolina e no diesel. A decisão vem como resposta direta aos riscos de elevação do petróleo no mercado internacional e à dependência do Brasil de combustíveis refinados importados.
Pontos Principais:
A principal mudança será o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, que passará dos atuais 27% para 30%. No caso do diesel, o percentual de biodiesel subirá de 12% para 15%. A proposta foi levada ao Conselho Nacional de Política Energética e deve ser aprovada ainda neste mês, acelerando pontos previstos no programa Combustíveis do Futuro.
A medida tem efeitos práticos que vão além da preocupação ambiental. Em primeiro lugar, o etanol é mais barato que a gasolina pura, o que pode ajudar a segurar o preço nos postos de abastecimento. Em segundo, a maior participação de insumos nacionais diminui a vulnerabilidade externa, reduzindo os efeitos diretos de crises geopolíticas sobre a inflação no Brasil.
Com o barril de petróleo em alta e estimativas apontando que cada 10% de aumento no preço do petróleo pode elevar a inflação brasileira em 0,2 ponto percentual, a movimentação do governo também atua como estratégia para estabilizar a economia em um cenário global instável. O temor é que conflitos como o entre Irã e Israel afetem o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, o que geraria reflexos imediatos nos preços.
Do ponto de vista político, a decisão busca ainda demonstrar ação rápida diante de pressões econômicas e sociais. Com os combustíveis pesando no orçamento das famílias e no transporte de mercadorias, o governo tenta evitar que os efeitos internacionais sejam sentidos diretamente pela população em curto prazo.
Além disso, o fortalecimento da produção de biocombustíveis estimula a cadeia agrícola e industrial interna, especialmente em estados produtores de cana-de-açúcar e soja. Isso reforça o discurso de valorização de soluções sustentáveis e autossuficientes em energia, sem abrir mão de medidas econômicas de impacto.
A nova composição dos combustíveis também será acompanhada por campanhas de orientação e fiscalização para garantir o cumprimento das novas diretrizes, que devem entrar em vigor rapidamente. A meta, no entanto, é que essa antecipação não seja temporária, mas sim um passo adiantado da transição energética brasileira.