Na cidade de Rio Verde de Mato Grosso, uma ocorrência envolvendo uma criança de apenas 2 anos provocou a morte da própria mãe, de 27 anos, na noite da última sexta-feira, 13 de junho. Segundo informações repassadas por autoridades e confirmadas por imagens de segurança da residência, a criança manuseou uma arma de fogo deixada sobre uma mesa no quintal de casa, e o disparo acidental atingiu a mãe, que chegou a ser socorrida, mas não resistiu.
Pontos Principais:
A tragédia aconteceu enquanto a família estava reunida na área externa da casa. A criança, que brincava nas proximidades dos pais, alcançou a pistola deixada carregada e acessível. O disparo ocorreu poucos segundos depois de a criança pegar a arma. Câmeras de monitoramento instaladas no local registraram todo o momento. As imagens mostram a reação imediata da mãe ao ser atingida e a tentativa do pai de socorrê-la em seguida.
As investigações apontam que a arma era legalizada e estava registrada no nome do pai da criança, um produtor rural que apresentou os documentos às autoridades logo após o ocorrido. A pistola 9 milímetros foi apreendida junto com um carregador e 18 munições intactas. A Polícia Civil trata o caso como homicídio culposo, ou seja, quando não há intenção de matar, e também como omissão de cautela na guarda de arma de fogo.
As imagens de segurança revelam os instantes anteriores e posteriores ao disparo. O casal estava sentado em cadeiras conversando, enquanto a criança circulava pelo quintal. Em determinado momento, ela sobe na estrutura da mesa e alcança a arma. A pistola, carregada, estava destravada e pronta para disparo. A criança, sem entender o perigo, manuseia o equipamento e aciona o gatilho.
O projétil atingiu a mulher no braço e no tórax. Ela ainda conseguiu se levantar e caminhar por alguns passos antes de cair. O pai aparece pegando a arma do chão e em seguida tenta socorrê-la. A criança, após o susto, corre e abraça a mãe, permanecendo ao lado dela. A sequência é interrompida quando o vídeo mostra o pai saindo para pedir ajuda.
De acordo com a polícia, os registros em vídeo foram entregues pelo próprio pai no momento do depoimento preliminar. Ele relatou que não percebeu o momento exato em que a criança pegou a pistola. A autoridade policial responsável pelo inquérito confirmou que novas oitivas ocorrerão nos próximos dias, inclusive com possível reconvocação do pai.
A pistola usada no disparo está registrada junto à Polícia Federal, de acordo com a documentação apresentada pelo produtor rural. Ainda que o porte seja legal, o Estatuto do Desarmamento estabelece a obrigação de armazenar armas de forma segura, longe do alcance de crianças ou pessoas não autorizadas.
Diante disso, a Polícia Civil instaurou inquérito por homicídio culposo, além da infração prevista por omissão de cautela na guarda da arma. Esses delitos podem resultar em punições que vão desde multa até reclusão, a depender da gravidade apurada ao final do processo. O pai da criança foi liberado após prestar depoimento, mas permanece como investigado.
A arma, o carregador e a munição foram recolhidos e passarão por perícia. O laudo técnico será incluído no processo de apuração. Especialistas ouvidos pelos investigadores apontam que a forma como a arma foi deixada no local não obedece às normas de segurança exigidas por lei.
A criança, apesar da idade, precisará ser acompanhada por equipes do setor psicossocial. A Justiça local deve solicitar avaliação do Conselho Tutelar, que poderá indicar a necessidade de suporte psicológico. A permanência da criança sob guarda da família será mantida temporariamente, mas pode ser revista em caso de agravamento da situação investigativa.
O caso gerou comoção na cidade, com mobilização de vizinhos e repercussão nacional. A prefeitura de Rio Verde de Mato Grosso informou que está em contato com a família para oferecer suporte emocional e logístico. A Polícia Civil reforçou que a prioridade, neste momento, é concluir a investigação com base nos fatos documentados.
A tragédia reacendeu o debate sobre o armazenamento seguro de armas em ambientes domésticos, especialmente em residências com crianças. Entidades ligadas à segurança pública e à infância destacam a importância da prevenção e do cumprimento rigoroso das normas legais.
O armamento envolvido no incidente é uma pistola 9mm, um dos modelos mais populares entre civis desde que sua liberação foi autorizada em 2019. No entanto, a comercialização desse calibre voltou a ser restringida em 2023, com alterações na legislação. Ainda assim, pessoas que já possuíam armas desse tipo antes da mudança puderam continuar com o registro ativo.
A pistola 9mm tem maior capacidade de munição e maior poder de penetração em comparação com outras armas leves, como o calibre .380. Essa característica faz com que seu manuseio exija ainda mais cuidados, especialmente quanto ao armazenamento seguro. A legislação vigente determina que a posse deve sempre respeitar critérios de segurança, como cofres, travas e uso de trancas adequadas.
Casos semelhantes, envolvendo disparos acidentais com armas legais em casas com crianças, já ocorreram em outras partes do país. Em todas as situações, os responsáveis foram investigados por omissão ou negligência, com implicações legais que podem perdurar por anos, mesmo após arquivamento do inquérito ou absolvição judicial.
O inquérito policial segue em andamento e as autoridades aguardam o laudo das imagens, perícia balística e novos depoimentos. O pai deve ser chamado novamente para esclarecimentos. A Delegacia de Polícia de Rio Verde de Mato Grosso mantém sigilo sobre parte dos dados, para preservar a integridade da família envolvida e da criança.
O Ministério Público será acionado ao final do inquérito para avaliar se oferece denúncia formal à Justiça ou se recomenda outro encaminhamento. Dependendo da evolução do caso, também poderá haver análise do histórico de comportamento e do ambiente familiar para definir medidas de proteção à criança.
A Justiça local pode ainda determinar que o Conselho Tutelar mantenha acompanhamento prolongado do núcleo familiar. Além disso, caso seja identificada reincidência de negligência, novas medidas de restrição podem ser aplicadas, inclusive com a suspensão temporária da guarda.
A Polícia Civil reforçou que todos os procedimentos seguem os trâmites legais e que não há previsão de prisão imediata, salvo em caso de descumprimento de obrigações processuais ou descoberta de novos elementos agravantes durante as diligências.
Fonte: Terra, Metropoles e G1.