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Casal deixa São Paulo, transforma Ford Bronco Sport em casa com cozinha, geladeira, energia solar e barraca no teto e parte com a cadelinha para cruzar as Américas de Ushuaia ao Alasca

Casal brasileiro transforma Ford Bronco Sport em casa, escritório e base de produção para cruzar as Américas de Ushuaia ao Alasca com cozinha, barraca, energia solar e Starlink.

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A viagem poderia ter sido feita de avião, de mochila nas costas ou dentro de um motorhome enorme, mas Thainá Tanizawa e Marcelo Ordoñez escolheram algo bem diferente, tiraram os bancos traseiros de um Ford Bronco Sport, colocaram ali cozinha, geladeira, roupas, equipamentos de trabalho e tudo o que precisavam para viver na estrada, instalaram uma barraca no teto e partiram com a cadelinha Canela para atravessar as Américas do extremo sul da Argentina até o Alasca.

O plano nasceu depois de uma mudança que parecia temporária, quando o casal deixou a correria de São Paulo para passar um ano em Ubatuba, no litoral paulista, mas aquele ano virou três e o tempo perto do mar fez voltar um desejo antigo de Thainá de conhecer o mundo, enquanto Marcelo, que já havia vivido na Austrália e viajado pela Europa, ajudou a transformar aquela vontade em uma viagem de verdade que também precisava incluir Canela com conforto e segurança.

Thainá Tanizawa e Marcelo Ordoñez deixaram São Paulo com a cadelinha Canela e transformaram um Ford Bronco Sport em casa, escritório e base para cruzar as Américas.

Foi por causa dela, inclusive, que viajar de carro começou a fazer mais sentido do que colocar duas mochilas nas costas e seguir de avião, mas o veículo teria uma tarefa pesada pela frente, pois precisaria aguentar viagens muito longas, estradas ruins, lama, areia, neve, gelo e montanhas, oferecer conforto para horas seguidas na estrada e ainda carregar a estrutura que faria daquele automóvel uma pequena casa sobre rodas.

O Ford Bronco Sport entrou nessa história antes mesmo de existir a ideia completa da adaptação, principalmente porque o casal procurava um carro capaz de lidar com terrenos muito diferentes durante uma viagem continental, e o SUV levava motor 2.0 EcoBoost turbo a gasolina de 253 cv e 38,7 kgfm, câmbio automático de oito marchas, tração 4×4, diferencial traseiro blocante e sete modos de condução preparados para situações que eles sabiam que encontrariam pelo caminho.

Marcelo e Thainá nunca tinham dirigido sobre neve e gelo antes da viagem, por isso os modos de condução deixaram de ser apenas botões no console quando o Bronco chegou ao inverno do extremo sul da América do Sul, porque o carro acabou passando de verdade por gelo, neve, areia, pedras e lama, enquanto Marcelo também aproveitou os primeiros quilômetros antes da instalação de toda a estrutura para experimentar o modo Sport e descobrir como o motor turbo respondia quando era chamado.

Depois de três anos em Ubatuba, o casal trocou a rotina fixa pela estrada e escolheu viajar de carro para manter Canela perto durante toda a jornada.

Só que o grande trabalho começou quando o carro precisou deixar de ser apenas carro, pois os bancos traseiros foram retirados para receber um móvel feito para ocupar aquele espaço, com a parte dianteira funcionando como guarda-roupa, cofre e lugar para objetos pessoais e equipamentos de produção, enquanto a parte acessada pelo porta-malas virou uma cozinha com geladeira, fogão e utensílios usados todos os dias.

O teto recebeu a barraca onde o casal dorme e também placas solares ligadas a uma bateria própria, sistema que alimenta iluminação, geladeira, computadores, outros equipamentos eletrônicos e a conexão por Starlink, permitindo que a pequena casa continue funcionando mesmo longe de tomadas e dando ao casal uma autonomia de até cinco dias quando a bateria está totalmente carregada.

O Bronco Sport leva motor 2.0 EcoBoost turbo de 253 cv, câmbio automático de oito marchas, tração 4×4 e sete modos de condução.

Foi então que um comentário publicado por um seguidor encontrou o nome que faltava para aquela máquina cheia de funções, alguém olhou para o Bronco transformado e escreveu “Broncasa”, Thainá e Marcelo perceberam que a palavra explicava exatamente o que o SUV havia se tornado e o apelido acabou ficando para um carro que agora era veículo, quarto, cozinha, escritório, fonte de energia e depósito ao mesmo tempo.

Canela também encontrou seu lugar nessa rotina e passou a ser tratada como a terceira aventureira do grupo, com direito à brincadeira de que trabalha como alarme móvel e segurança da expedição, enquanto Marcelo costuma dizer que o Bronco virou o quarto integrante daquela pequena família que passou a viver dentro e ao redor do carro durante a travessia.

No teto fica a barraca onde o casal dorme, enquanto placas solares e bateria mantêm luzes, geladeira, computadores e Starlink funcionando.

A jornada começou em São Paulo, desceu até Ushuaia e depois mudou de direção para seguir rumo ao norte até o Alasca, mas o cronograma logo mostrou que uma viagem desse tamanho não respeita calendário, porque o plano era alcançar Ushuaia no verão e o ritmo mais lento acabou levando o grupo ao extremo sul já durante o inverno, com temperaturas negativas, neve e dias em que acampar exigiu muito mais do que simplesmente abrir a barraca.

A falta de aquecimento dentro da barraca virou um dos maiores desafios na Patagônia e a chuva também trouxe momentos difíceis, como no dia em que o camping alagou enquanto Thainá precisava trabalhar, obrigando-a a pegar o computador, entrar no Bronco e transformar o banco do carro em escritório até a água baixar e o tempo melhorar.

Foi nessa fase que alguns equipamentos que pareciam detalhes de conforto começaram a valer ouro, especialmente os bancos aquecidos que se tornaram o recurso preferido de Thainá, enquanto o vidro traseiro com abertura separada permitia pegar roupas, alimentos e objetos sem levantar toda a tampa do porta-malas e a iluminação externa ajudava na montagem do acampamento e na organização dos equipamentos depois que o sol desaparecia.

O Alasca não deve encerrar a viagem, pois o casal já pensa em cruzar Canadá, Estados Unidos e até levar a Broncasa para continuar a jornada na Europa.

Depois de mais de 14 mil quilômetros, o carro já havia enfrentado neve, gelo, cascalho, pedras, areia, lama, estradas de montanha e frio abaixo de zero, mas o único problema diretamente ligado ao veículo relatado pelo casal até aquele ponto tinha sido um pneu furado quando eles já estavam perto de uma cidade, resultado que Marcelo considerou muito bom diante do tipo de caminho percorrido.

A estrada também virou local de trabalho porque a viagem faz parte da Soul Let’s Go, produtora itinerante criada pelo casal para registrar pessoas, culturas e lugares durante o caminho, com a proposta de não passar correndo pelos destinos apenas para colecionar pontos no mapa, mas ficar tempo suficiente para conversar com moradores e entender como cada território muda a vida de quem mora nele.

Em Salta, na Argentina, esse jeito mais lento de viajar levou os dois até o folclore musical local, aos tradicionais boliches onde músicos e dançarinos se apresentam e a conversas que acabaram virando um vídeo sobre uma cultura que eles perceberam ser pouco conhecida pelo público brasileiro, transformando uma simples parada da rota em mais uma história produzida dentro da própria viagem.

Até o nome Soul Let’s Go tenta resumir esse espírito ao juntar “Soul”, alma em inglês, com “Let’s Go”, algo como “vamos”, expressão escolhida para representar a ideia de continuar em movimento e também convidar outras pessoas a saírem da rotina, mesmo que isso não signifique necessariamente abandonar tudo e cruzar um continente.

Quando chegaram à região de El Chaltén, em Santa Cruz, na Patagônia argentina, Thainá e Marcelo já planejavam seguir para Bariloche antes de continuar a longa subida pelas Américas, mas o Alasca deixou de parecer um ponto final porque o casal começou a pensar também em explorar melhor Canadá e Estados Unidos e até em atravessar o Atlântico com o Bronco para continuar o projeto na Europa.

Thainá acredita que planejamento financeiro é necessário, mas não quer passar a vida esperando o momento em que tudo esteja perfeito, enquanto Marcelo diz que uma mudança desse tamanho começa quando alguém presta atenção naquele desconforto que insiste em dizer que a rotina precisa mudar, e os dois seguem colocando essa ideia à prova todos os dias dentro de um Ford Bronco Sport que saiu de São Paulo como SUV e, milhares de quilômetros depois, já era conhecido simplesmente como Broncasa.

Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.

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