Chapolin Colorado virou referência informal para um golpe que voltou a se espalhar em 2026, ao explorar uma falha simples no ato de travar o carro e permitir furtos sem qualquer sinal de arrombamento.
O mecanismo é direto e eficiente. No momento em que o motorista aperta o botão da chave e se afasta, um emissor de radiofrequência, operado a poucos metros de distância, bloqueia o sinal da trava. O carro permanece destrancado. O motorista não percebe. Minutos depois, bolsas, mochilas ou eletrônicos desaparecem sem deixar vestígios.
O golpe, conhecido no meio policial como “Chapolin”, se aproveita da confiança excessiva no bip sonoro que acompanha o travamento das portas. O som não confirma o fechamento. Apenas indica que houve tentativa de comunicação. Se o sinal for interrompido no instante exato, a ordem não chega ao veículo.
A vulnerabilidade está na base do sistema. A comunicação entre a chave e o carro ocorre por radiofrequência, sem conexão física. Em modelos mais simples, o código transmitido é fixo, repetido a cada acionamento. Para quem observa o padrão e interfere no sinal, o bloqueio é trivial e silencioso.
O foco não é levar o carro. É o furto rápido, oportunista e de baixo risco. Celulares, documentos, bolsas e compras deixadas à vista são os alvos preferenciais. Não há dano, não há confronto, não há urgência. Quando o motorista retorna, o prejuízo já ocorreu.
A escolha do nome remete à astúcia do personagem criado por Roberto Bolaños, mas o efeito está longe do humor. O método funciona porque explora o comportamento automático de quem dirige diariamente e raramente confere manualmente se a porta está, de fato, trancada.
A prevenção passa menos por tecnologia e mais por hábito. Conferir visualmente o travamento, puxar a maçaneta antes de se afastar e não confiar apenas no bip reduzem significativamente o risco. Sistemas com códigos rotativos, em que o sinal muda a cada uso, dificultam a interferência e tornam o golpe ineficaz.
Evitar deixar objetos visíveis continua sendo uma regra básica. Mesmo que o carro fique destrancado, não oferecer um alvo imediato reduz o interesse do criminoso. A conclusão é simples e incômoda: o som não é garantia. Em um cenário de furtos cada vez mais silenciosos, atenção voltou a ser o principal item de segurança.
O criminoso observa a rotina do motorista, aguarda o momento exato em que a chave é acionada e interfere no sinal da trava, fazendo o carro permanecer destrancado sem que a vítima perceba.
A prevenção depende mais de atenção e mudança de hábito do que de equipamentos caros, reduzindo a chance de o bloqueio do sinal passar despercebido.