A Justiça do Rio de Janeiro decretou nesta terça-feira (22) a prisão preventiva do rapper Oruam, nome artístico de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, acusado de seis crimes após confronto com a Polícia Civil. A decisão foi tomada com base no Código de Processo Penal, sob a justificativa de necessidade de preservar a ordem pública e garantir o andamento das investigações. Oruam foi indiciado por tráfico e associação para o tráfico de drogas, além de resistência, desacato, dano ao patrimônio, ameaça e lesão corporal.
No dia anterior, agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes realizaram uma operação na casa do cantor no Joá, Zona Oeste da capital fluminense, após receberem informações de que um menor com mandado judicial estava no imóvel. O adolescente seria ligado ao Comando Vermelho, atuando como segurança de Edgar Alves de Andrade, o Doca, segundo a polícia. Quando os agentes tentaram cumprir o mandado, houve resistência.
A polícia afirma que Oruam e outros oito homens saíram da varanda da casa atirando pedras contra a viatura. Um policial ficou ferido. Imagens postadas nas redes sociais do próprio rapper mostram o momento do ataque ao veículo oficial. Durante a operação, Pablo Ricardo Paula Silva de Moraes foi preso em flagrante por agressão, desacato, ameaça e associação ao tráfico. Ele teria atirado uma pedra que atingiu um dos agentes.
Horas depois da operação, Oruam deixou o Joá e foi para o Complexo da Penha. Em vídeos publicados nas redes sociais, o artista desafiou as autoridades: “Quero ver me pegar aqui dentro do Complexo. Aqui vocês peidam”, disse. Ele também xingou um delegado, usando termos ofensivos, e pediu ajuda ao público para impedir sua prisão.
O histórico familiar de Oruam contribui para o destaque do caso. Filho do traficante Marcinho VP, um dos chefes históricos do Comando Vermelho, preso desde 1996, o rapper ganhou notoriedade ao mostrar tatuagens com o rosto do pai, do traficante Elias Maluco e de Raul, filho de Elias. Em vídeos, ele se refere a eles como “pai, tio e primo”.
Nascido em 2001 e criado na Cidade de Deus, Oruam começou a carreira musical em 2021 e rapidamente conquistou espaço nas plataformas digitais. No entanto, sua trajetória artística tem sido marcada por envolvimento em polêmicas e ostentação de símbolos ligados ao tráfico. Nas redes, ele costuma adotar postura desafiadora diante das instituições.
Além da repercussão policial, a prisão de Oruam reacende o debate sobre a relação de artistas com organizações criminosas. O episódio também mobilizou outros nomes do cenário musical, como MC Poze do Rodo, que se manifestou em defesa do colega, alegando perseguição policial. A situação segue em andamento, com o rapper ainda foragido até o momento da última atualização.