MC Poze do Rodo foi preso em casa, em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, por agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) na madrugada desta quinta-feira. A ordem judicial que levou à prisão temporária do funkeiro partiu de investigações que relacionam suas músicas e shows a práticas criminosas. A Polícia Civil afirma que as letras de suas canções não se limitam à liberdade de expressão e configuram crime ao enaltecer o tráfico e o uso de armas de fogo.
As autoridades afirmam que Poze realiza apresentações somente em áreas controladas pelo Comando Vermelho, o que demonstra uma proximidade preocupante com a facção. Nessas festas, traficantes armados com fuzis circulam livremente, garantindo a segurança do evento e também potencializando a propaganda do crime. A música e o ambiente servem como vitrine para reforçar o poder da facção e, segundo a polícia, incentivam a violência.
No último dia 19, o RJ2 mostrou vídeos de um baile funk na Cidade de Deus, onde Poze cantava para um público rodeado de traficantes com armamento pesado. Essa não foi a primeira vez que o artista apareceu em meio a criminosos armados. Em 2020, ele já havia sido flagrado em um evento semelhante no Jacaré, deixando claro o padrão de comportamento em seus shows.
Os investigadores destacam que esses eventos vão muito além da música. Para a DRE, são ocasiões em que o Comando Vermelho lucra diretamente com a venda de drogas e expõe seu domínio sobre as comunidades. As apresentações de Poze, assim, seriam instrumentos para aumentar o faturamento da facção e garantir a compra de mais armamentos.
Em nota, a Polícia Civil ressaltou que as ações de Poze contribuem para manter vivo o ciclo de violência e medo nas favelas cariocas. As letras das músicas, que falam de armas e confrontos, ecoam em um cenário onde a criminalidade encontra espaço para se expandir. A operação que prendeu o funkeiro busca interromper esse elo entre música e tráfico.
Além da atuação em shows, Poze também foi alvo, no ano passado, da Operação Rifa Limpa, que investigou a realização de sorteios ilegais nas redes sociais. Ele e a esposa, Viviane Noronha, tiveram bens apreendidos na ocasião, indicando uma série de práticas à margem da lei que se estendem para além da música.
A DRE segue com as investigações para identificar outros envolvidos e descobrir quem financia diretamente os bailes que Poze realiza. A prisão do artista representa, para as autoridades, um passo importante para enfraquecer a ligação entre o tráfico de drogas e a indústria cultural que o alimenta. O funkeiro, no entanto, preferiu não se pronunciar sobre as acusações.