Antes dos carros de luxo, dos contratos milionários e dos estádios lotados, Neymar era um menino que precisava chegar aos treinos de futebol e dependia de uma Kombi azul para percorrer o caminho, um veículo que seu pai usava para levar o filho aos jogos e que, muitos anos depois, voltaria à vida do jogador como um presente de aniversário de R$ 270 mil, com televisão, teto solar, acabamento em couro e o mesmo nome que acompanhou a infância da família: Filomena.
A história ganhou um novo capítulo quando Neymar completou 34 anos, em fevereiro de 2026, e recebeu do pai uma Volkswagen Kombi personalizada que recuperava a aparência do antigo veículo familiar, mas escondia um interior completamente diferente, preparado para transportar sete pessoas com conforto e reunir recursos que ninguém esperaria encontrar em um modelo originalmente fabricado para o trabalho e o transporte de passageiros.

O nome Filomena não surgiu na oficina, nem foi escolhido para combinar com a pintura, pois era assim que a família chamava a antiga Kombi usada por Neymar Santos para levar o filho aos treinos quando ele ainda era criança, época em que o futebol fazia parte da rotina familiar, mas os carros milionários ainda não tinham entrado na história.
A ideia de reconstruir essa lembrança começou a tomar forma nos primeiros meses de 2025, quando Neymar Pai passou a acompanhar o perfil da Império das Kombis no Instagram e recebeu um convite da empresa para desenvolver um projeto em conjunto, uma conversa que ficou em aberto enquanto a família organizava seu retorno ao Brasil e que voltaria à pauta meses depois.
Em setembro daquele ano, a oficina publicou uma Kombi nas redes sociais e recebeu uma ligação de Neymar Santos, que tinha uma ideia bastante específica e queria transformar o veículo em um presente para o filho, dando início a uma conversa que avançou pela madrugada até definir os primeiros detalhes de uma restauração que precisaria ficar pronta antes do aniversário do jogador.

Na manhã seguinte, o contrato estava assinado e a equipe de Dayane Vieira, sócia-proprietária da Império das Kombis, tinha pela frente uma encomenda que normalmente exigiria dez meses de trabalho, mas que precisaria ser concluída em apenas quatro para que Neymar recebesse a surpresa na data planejada pelo pai.
A primeira dificuldade foi encontrar a Kombi que serviria de base para a transformação, uma procura que levou aproximadamente duas semanas até a oficina escolher uma unidade branca, original e em bom estado de conservação, características que ajudariam a reduzir o trabalho necessário para recuperar o veículo e permitiriam concentrar os esforços na personalização.

O modelo escolhido era uma Volkswagen Kombi 2012, fabricada já na fase em que o utilitário brasileiro utilizava motor flex com refrigeração a água, bem diferente das antigas unidades com motor refrigerado a ar que ajudaram a construir a fama do veículo nas ruas brasileiras.
Neymar Pai assumiu pessoalmente uma das decisões mais importantes do projeto, escolhendo o azul Danúbio, cor original da Volkswagen que reproduzia a aparência da Kombi de sua juventude, enquanto a equipe recebeu liberdade para desenvolver outros elementos da personalização e combinar o acabamento interno com a pintura externa.
O pedido também incluía uma exigência prática que fazia sentido para um veículo nascido como transporte familiar: a nova Filomena deveria acomodar sete pessoas, preservando a possibilidade de reunir passageiros mesmo depois de receber equipamentos que ocupavam boa parte do espaço disponível.
Para cumprir o prazo, a oficina criou um turno extra de trabalho e acompanhou cada etapa da restauração, enquanto Neymar Santos recebia fotos e vídeos do andamento da encomenda, mantendo o projeto sob sua supervisão sem que o filho acompanhasse pessoalmente a transformação.
A carroceria ganhou pintura azul, rodas esportivas e acabamento personalizado, mas a mudança mais profunda aconteceu no interior, onde os antigos bancos deram lugar a assentos individuais, tapeçaria feita sob medida e revestimentos em couro com os nomes da família bordados, transformando a Kombi em um veículo de passeio preparado para receber convidados.
A lista de equipamentos passou a incluir televisão retrátil, descrita nas reportagens com tamanho de 42 ou 43 polegadas, sistema de som com Apple CarPlay, dois frigobars, teto solar, volante especial, consoles e porta-copos adaptados de outros veículos, uma combinação que exigiu planejamento para acomodar tantos recursos dentro de um projeto que continuava limitado às dimensões da Kombi.


O sistema de som recebeu atenção especial da equipe e acabou participando da própria comemoração de aniversário, quando a Kombi foi utilizada para reproduzir músicas durante a festa de Neymar, mostrando que a personalização não tinha sido feita apenas para deixar o veículo bonito nas fotografias.
O trabalho também foi além da aparência, pois a oficina realizou uma revisão mecânica que incluiu suspensão, freios, direção e parte elétrica, substituindo componentes quando necessário para que o veículo pudesse voltar a circular depois de passar pela transformação.
O motor 1.4 flex foi desmontado e revisado, mantendo o conjunto mecânico original do modelo, que entrega até 80 cv com etanol e torque de 12,7 kgfm, potência suficiente para cumprir a função de transporte para a qual a Kombi foi desenvolvida, mas distante do desempenho dos esportivos que Neymar também possui.
Pelos dados de fábrica, a Kombi 2012 leva 16,1 segundos para acelerar de 0 a 100 km/h e alcança velocidade máxima de 130 km/h, números que deixam claro que a intenção do projeto nunca foi transformar Filomena em um carro rápido, mas recuperar uma parte da história familiar com mecânica revisada e equipamentos modernos.
A transformação foi concluída em quatro meses, menos da metade do prazo normalmente adotado pela empresa para projetos completos, e a Kombi ficou pronta para ser entregue ao jogador durante a comemoração de seus 34 anos, encerrando uma operação que havia começado com uma interação no Instagram e avançado até se tornar um presente personalizado.
O custo associado ao projeto foi apresentado pelo g1 como R$ 270 mil, enquanto Dayane Vieira explicou ao UOL que unidades semelhantes podem ultrapassar R$ 250 mil no mercado e que restaurações desse tipo podem exigir investimentos superiores a R$ 300 mil, dependendo das condições do veículo e dos equipamentos escolhidos.
A proprietária da oficina também explicou que a Filomena não foi a Kombi mais cara produzida pela empresa, pois unidades antigas, especialmente as fabricadas entre 1957 e 1975, podem exigir aproximadamente R$ 350 mil para uma restauração completa, principalmente quando pertencem à geração conhecida como Corujinha, identificada pelo desenho antigo da dianteira e muito procurada por colecionadores.

Parte dessa valorização vem do interesse de compradores estrangeiros, já que a Império das Kombis trabalha com exportações e enviou veículos personalizados para Estados Unidos, Bélgica, Alemanha, França e Itália, aproveitando a oferta brasileira de unidades antigas e a mão de obra especializada que continua trabalhando com o modelo.
Em 2025, a empresa entregou 28 Kombis customizadas e, em fevereiro de 2026, já informava ter apenas duas vagas disponíveis para novos projetos com entrega até dezembro daquele ano, enquanto as encomendas seguintes precisariam ficar para o início de 2027.
Mesmo com os valores praticados pela oficina, Dayane reconheceu que estabelecer um preço de mercado para a Filomena seria mais complicado do que avaliar outra Kombi restaurada, pois o veículo passou a carregar não apenas o custo da personalização, mas também sua ligação com Neymar e uma história familiar conhecida pelo público.

Há uma diferença importante entre o valor de uma restauração e o preço que alguém estaria disposto a pagar por um veículo ligado a uma celebridade, especialmente quando o automóvel foi construído como presente e não colocado à venda, motivo pelo qual os R$ 270 mil associados ao projeto não representam necessariamente o valor de uma eventual negociação.
Para Neymar Santos, porém, o pedido tinha uma finalidade que não dependia de quanto a Kombi poderia valer em um leilão, já que a escolha da cor, do nome e do modelo buscava recuperar o veículo que havia participado dos primeiros passos do filho no futebol.
A nova Filomena não é a mesma Kombi que transportava Neymar quando criança, tampouco tenta esconder as mudanças trazidas pelos anos, pois agora tem televisão, frigobars, couro e um acabamento que a antiga certamente não possuía, mas preserva justamente os elementos que fizeram aquele veículo permanecer na memória da família.
O menino que precisava de uma carona para chegar aos treinos cresceu, virou jogador profissional, conquistou títulos e passou a ter acesso a carros que custam milhões, mas foi uma Kombi azul, com motor de 80 cv e nome de família, que seu pai escolheu para levá-lo de volta ao começo de tudo.

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