A influenciadora digital Fernanda Valença, noiva do rapper Mauro Davi Nepomuceno, conhecido como Oruam, denunciou publicamente uma abordagem policial violenta ocorrida em sua residência no bairro do Joá, Zona Oeste do Rio de Janeiro. O episódio aconteceu durante uma operação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) em busca de um adolescente suspeito de atuar como segurança de um dos líderes do Comando Vermelho.
Segundo Fernanda, os agentes não estavam identificados e entraram na casa sem apresentar fardamento. Em vídeos publicados nas redes sociais, ela descreveu o momento de tensão vivido dentro do imóvel. Disse que os policiais estavam armados com fuzis e que um deles chegou a apontar a arma para sua cachorra, que latia diante da presença dos estranhos. “Em nenhum momento tinham farda. Eu nem sabia o que eles eram. Depois subiram de fuzil, apontaram a arma para minha cachorra, porque ela latiu”, declarou.
A operação tinha como alvo um jovem de 17 anos, supostamente ligado a Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, apontado como integrante da alta cúpula do Comando Vermelho. Durante o tumulto da abordagem, o adolescente foi colocado em uma viatura policial, mas conseguiu fugir. A Polícia Civil do Rio informou que o menor estaria em companhia de Oruam e que ambos teriam escapado para a comunidade da Penha.
Ainda durante a ação, uma pessoa foi detida por desacato, resistência, lesão corporal e dano ao patrimônio público. A operação chamou atenção pela quantidade de viaturas mobilizadas — segundo o próprio Oruam, seriam mais de 20. Em vídeo, o rapper acusou o delegado Moyses Santana, titular da DRE, de perseguição. “Claro que ele vai querer prender nós, porque nós é filho de bandido”, afirmou Oruam, referindo-se ao pai, Márcio Nepomuceno dos Santos, conhecido como Marcinho VP.
Oruam foi alvo de um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça do Rio nesta terça-feira (22), sob suspeita de associação para o tráfico de drogas. Esta não é a primeira vez que o rapper se envolve com autoridades policiais. Em fevereiro, ele havia sido detido por abrigar um foragido da Justiça em sua casa. Uma semana antes, foi levado por policiais após fazer manobras perigosas com um carro na orla da Tijuca, sendo liberado depois de pagar R$ 60 mil de pensão alimentícia atrasada.
O adolescente procurado pela DRE é apontado como fundador da “Equipe do Ódio”, grupo criminoso envolvido em roubos de veículos em regiões como Madureira, Quintino, Cascadura, Brás de Pina, Vila da Penha e Barra da Tijuca. A atuação do menor é considerada de alta periculosidade pela Polícia Civil.
Em entrevista à TV Globo, o secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi, confirmou que Oruam será formalmente indiciado por associação para o tráfico. Ele também classificou o menor de idade como “um marginal da pior espécie e ligado diretamente ao Comando Vermelho”.
Nas redes sociais, Oruam se declarou atônito com a situação e reforçou sua indignação com a abordagem. “Até agora não sei o que está acontecendo”, escreveu. O episódio reacende o debate sobre os métodos adotados pelas forças policiais do Rio, especialmente em operações que envolvem figuras públicas e familiares de criminosos notórios.
Fonte: Otempo.