A terceira audiência do caso envolvendo o assassinato do comerciante Igor Peretto, de 27 anos, foi realizada em 16 de junho de 2025 no Fórum de Praia Grande, no litoral sul de São Paulo. O processo envolve três réus — Rafaela Costa (viúva), Marcelly Peretto (irmã da vítima) e Mario Vitorino (cunhado) — que são acusados pelo Ministério Público de envolvimento direto na morte do jovem, ocorrida em 31 de agosto de 2024. O crime, segundo a promotoria, teria sido motivado por conflitos familiares, relações interpessoais e interesses financeiros.
Pontos Principais:
Durante a audiência, que teve início pela manhã e seguiu até a noite, os acusados foram interrogados pelo juiz responsável pelo caso. Essa etapa marca o encerramento da fase de instrução processual, que também incluiu a oitiva de três testemunhas indicadas pelas defesas. Com o fim da sessão, o juiz estabeleceu prazo para requerimentos finais, etapa que precede a decisão sobre o envio ou não do caso ao Tribunal do Júri.
A morte de Igor Peretto gerou repercussão na Baixada Santista e trouxe à tona detalhes complexos envolvendo laços afetivos entre os envolvidos. Segundo a denúncia do Ministério Público, a vítima teria sido assassinada a facadas após ser considerada um obstáculo para os relacionamentos mantidos entre os três acusados.
A audiência foi iniciada com os depoimentos das testemunhas de defesa: uma policial e dois assistentes técnicos indicados pelos advogados de Mario Vitorino. Em seguida, os três réus foram interrogados individualmente. Mario foi o primeiro a prestar depoimento, seguido por Marcelly e, por fim, Rafaela. Todos negaram participação na morte e rejeitaram a existência de qualquer vínculo amoroso entre os três.
O advogado de Rafaela alegou ausência de elementos que justifiquem sua submissão a júri popular. Em sua argumentação, destacou que não houve intenção de matar e que as provas apontam para o contrário da tese do Ministério Público. Já a defesa de Mario afirmou que a acusação perdeu força durante a instrução, sobretudo após os depoimentos policiais que, segundo ele, descartaram motivações passionais ou econômicas.
A defesa de Marcelly Peretto também se manifestou ao final da audiência, reiterando que a acusação é inconsistente com o que foi apurado no processo. Os advogados sustentam que nenhuma evidência produzida aponta para a culpa da irmã da vítima, e que não há indícios de premeditação por parte dela.
O Ministério Público sustenta que o crime foi premeditado, com participação direta dos três acusados. De acordo com a promotoria, Igor teria sido morto por representar um obstáculo nos relacionamentos pessoais e na divisão de interesses financeiros entre Rafaela, Marcelly e Mario. A denúncia afirma que Mário desferiu os golpes de faca, enquanto Rafaela teria atraído Igor até o local do crime, e Marcelly contribuído para a execução.
Segundo o MP, a morte de Igor beneficiaria os acusados financeiramente: Mário assumiria o controle da loja de motocicletas que mantinha com o cunhado; Rafaela herdaria bens do marido; e Marcelly, envolvida com ambos, teria ganhos indiretos. A denúncia também menciona que os acusados teriam pesquisado sobre o tempo necessário para que o corpo começasse a se decompor, com a intenção de fugir antes de serem descobertos.
O laudo necroscópico revelou que Igor teria ficado tetraplégico caso sobrevivesse às facadas. O crime foi qualificado por motivo torpe e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, já que o ataque foi praticado por alguém de confiança da vítima, em local fechado.
Igor Peretto foi morto em 31 de agosto de 2024 no apartamento da irmã, em Praia Grande. Segundo as investigações, Rafaela e Marcelly chegaram juntas ao imóvel, mas Rafaela o deixou instantes antes da chegada de Igor com Mario. A reconstrução dos fatos sugere que o crime ocorreu logo após essa sequência de entradas e saídas.
Relatos dos advogados indicam que havia relações íntimas entre os envolvidos. O defensor de Marcelly chegou a mencionar um envolvimento amoroso entre ela e Rafaela antes da chegada dos homens ao local. O Ministério Público, por sua vez, usou esses elementos para embasar a tese de triângulo afetivo como motivação.
As prisões ocorreram em setembro de 2024. As mulheres se entregaram no dia 6, enquanto Mário foi encontrado escondido na casa de um parente de Rafaela no município de Torrinha, no interior paulista, no dia 15. Inicialmente presos de forma temporária, os três tiveram as detenções convertidas em preventivas após a formalização da denúncia pelas promotoras responsáveis.
Com o fim da audiência do dia 16 de junho, o processo entra agora na reta final da fase judicial. O juiz estabeleceu um prazo de dois dias para que as defesas apresentem requerimentos de diligências complementares. Após essa etapa, cada parte será intimada a protocolar as alegações finais.
A expectativa é que a decisão sobre a pronúncia seja tomada ainda em junho. Caso o juiz entenda que há elementos suficientes, os acusados serão levados a júri popular. Em caso de impronúncia, o processo será encerrado sem julgamento. O caso continua a mobilizar atenção na região da Baixada Santista, dada a gravidade do crime e os laços familiares envolvidos.
Fonte: G1, Metropoles e R7.