O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) determinou nesta sexta-feira (30) a soltura de Igor Ferreira Sauceda, acusado de atropelar e matar o motoboy Pedro Kayque Ventura, de 21 anos, em julho do ano passado na Avenida Interlagos, zona sul da capital paulista. O crime ocorreu após o motoboy danificar o retrovisor do Porsche, levando o motorista a persegui-lo e causar o acidente fatal.
Pontos Principais:
Segundo a perícia, o Porsche dirigido por Sauceda estava a mais de 102 km/h no momento do impacto e arrastou a moto por cerca de 60 metros antes de colidir contra um poste. Sauceda foi denunciado por homicídio triplamente qualificado, e desde então, permaneceu preso aguardando decisão judicial sobre o caso.
A juíza Isabel Begalli Rodriguez, da 3ª Vara do Júri, afirmou em sua decisão que não foram encontradas evidências de comportamento ameaçador de Sauceda antes do ocorrido. Ela citou que o inquérito sobre supostas intimidações foi arquivado e nenhuma testemunha confirmou ter sido ameaçada pelo acusado ou por pessoas ligadas a ele.
A magistrada também destacou que Sauceda não tentou esconder provas ou dificultar o trabalho da polícia. De acordo com a decisão, ele permaneceu no local do acidente, prestou depoimento e colaborou com as investigações desde o início do processo.
Outro ponto levantado pela juíza foi o tempo de prisão preventiva de Sauceda, que chegou a quase 10 meses, e a demora para realização da perícia solicitada pela defesa. Essa demora, segundo ela, foi causada por dificuldades no acesso aos veículos envolvidos no acidente, o que prejudicou a conclusão do laudo.
Com a liberdade provisória, foram impostas medidas cautelares ao acusado, como o uso de tornozeleira eletrônica, a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e a proibição de sair do país. A decisão não encerra o processo, e o caso segue em tramitação judicial.
O motoboy Pedro Kayque Ventura, que morreu aos 21 anos, deixou um filho de três anos e teve a morte considerada intencional pela família, que afirma que o motorista jogou o carro contra a moto de propósito. A defesa de Sauceda alega que ele não teve intenção de matar e que o acidente foi um desdobramento da discussão que começou após a batida no retrovisor.