Ali Khamenei é o principal nome do sistema político iraniano desde o fim da década de 1980. Combinando a função religiosa mais alta do país com o poder de decisão política central, ele é hoje a figura dominante da República Islâmica do Irã. Nascido em 1939, Khamenei assumiu o posto de Líder Supremo após a morte de Ruhollah Khomeini, fundador da república teocrática, e desde então exerce influência sobre todas as instituições do Estado, das Forças Armadas ao Judiciário.
Pontos Principais:
Durante sua presidência, entre 1981 e 1989, lidou com as consequências da Revolução de 1979 e a guerra contra o Iraque. Com a morte de Khomeini, foi nomeado como sucessor, apesar de controvérsias internas. Seu nome foi aprovado por uma maioria de clérigos e desde então se mantém no cargo, com o controle de todos os setores decisivos da política iraniana.
Em 2025, aos 86 anos, Khamenei ainda concentra o comando estratégico do país, mesmo diante de crescentes tensões internas e externas. Protestos populares, sanções econômicas e ataques cibernéticos de origem estrangeira marcaram sua gestão nas últimas décadas. A possível sucessão de poder já movimenta os bastidores do regime.
Khamenei construiu sua autoridade a partir do discurso de continuidade da Revolução Islâmica. Com formação clerical sólida, assumiu postos políticos logo após a deposição do xá Mohammad Reza Pahlavi. Ganhou força durante a guerra Irã-Iraque e assumiu a presidência em um contexto de forte militarização e centralização do poder religioso.
Com o falecimento de Khomeini, seu nome foi articulado como o sucessor ideal por representar um elo entre o clero tradicional e os setores mais conservadores das Forças Armadas. A Assembleia de Especialistas aprovou sua escolha, mesmo diante da ausência do grau clerical máximo exigido para o posto à época.
Como Líder Supremo, passou a comandar o aparato estatal de modo direto, com poder para vetar decisões do presidente e do Parlamento. Consolidou seu poder através do controle do Conselho dos Guardiões e da nomeação direta de juízes, generais e membros do alto clero.
Ao longo dos anos, Khamenei estruturou uma rede de comando que inclui milícias, fundações econômicas e agências religiosas. Ele controla a Guarda Revolucionária e as Forças Quds, responsáveis por ações externas do Irã, principalmente no Líbano, Síria e Iraque. Além disso, influencia diretamente a política nuclear iraniana.
Outro eixo importante de seu poder é o controle financeiro. Ele lidera a organização Setad, uma holding estatal que administra ativos confiscados e que atua em diversos setores da economia, com valor estimado em bilhões de dólares. Esses recursos garantem autonomia orçamentária e sustentação política a longo prazo.
A influência religiosa também é essencial. Khamenei realiza pronunciamentos frequentes nas principais datas do calendário islâmico e em momentos de crise nacional. Por meio de decretos e interpretações jurídicas, interfere diretamente em temas sociais e políticos, legitimando sua posição perante parte da população.
Durante seu governo, Khamenei enfrentou diferentes ondas de protestos, todas reprimidas com força. As manifestações de 2009, contra a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad, marcaram um ponto de virada, com o uso amplo de censura, prisões e violência policial. Em anos recentes, atos liderados por mulheres, trabalhadores e jovens também foram alvo de repressão.
O caso de Mahsa Amini, morta após ser detida por usar o véu de forma inadequada, provocou protestos internacionais e reacendeu a tensão entre o regime e parte da sociedade iraniana. As respostas foram marcadas por cortes de internet, prisões em massa e endurecimento de medidas legais contra dissidentes.
No plano político, a margem de manobra para opositores diminuiu. Candidatos reformistas e liberais têm sido sistematicamente vetados das eleições pelo Conselho dos Guardiões, subordinado a Khamenei. Isso resultou em taxas de abstenção crescentes e enfraquecimento do debate político institucional.
Khamenei sempre sustentou um discurso contrário à presença dos Estados Unidos e de Israel no Oriente Médio. Essa posição influenciou diretamente a política externa do Irã, que apoia movimentos armados em países vizinhos e desafia acordos internacionais de desarmamento.
Nos últimos anos, a tensão com Israel aumentou, especialmente após ataques cibernéticos e ações militares atribuídas a Tel Aviv contra instalações nucleares iranianas. Em resposta, o Irã coordenou ataques de drones e mísseis em regiões próximas às fronteiras, intensificando o clima de confronto regional.
O relacionamento com os Estados Unidos também oscilou entre momentos de tensão e tentativa de acordo. O pacto nuclear de 2015 foi criticado por Khamenei, que via com desconfiança qualquer aproximação com o Ocidente. Após a saída dos EUA do acordo em 2018, o Irã retomou parte de suas atividades nucleares, reacendendo o debate internacional.
A sucessão de Khamenei é um dos temas mais sensíveis da política iraniana atual. Aos 86 anos, ele já enfrenta problemas de saúde e especulações sobre quem assumirá o cargo aumentam. Entre os possíveis nomes está seu filho Mojtaba Khamenei, figura discreta, mas influente nos bastidores.
Setores mais conservadores defendem uma transição dentro da estrutura atual, mantendo o modelo do líder supremo. Já alguns setores do clero defendem a substituição do cargo por um conselho coletivo. O temor de instabilidade ou disputas internas é real, especialmente diante do atual cenário de confrontos internacionais.
Analistas internacionais acompanham com atenção os movimentos do regime iraniano. Qualquer mudança no comando pode alterar o equilíbrio geopolítico do Oriente Médio e afetar diretamente as negociações sobre o programa nuclear, os preços do petróleo e a segurança regional.
Nas últimas semanas, o Irã foi alvo de ataques aéreos dos Estados Unidos contra instalações nucleares em locais estratégicos como Fordow, Natanz e Esfahan. A ação foi anunciada como uma tentativa de desmobilizar a capacidade de enriquecimento de urânio do regime iraniano, e representou um ponto de inflexão nas tensões que vinham se acumulando desde a retomada das atividades nucleares pelo país.
A resposta de Teerã veio em diferentes frentes. O governo classificou os ataques como atos de guerra e passou a mobilizar tropas em regiões sensíveis, especialmente próximas ao Estreito de Ormuz. Embora a retórica inicial apontasse para represálias diretas aos Estados Unidos, o foco da retaliação tem sido Israel, com o lançamento de mísseis e drones em áreas fronteiriças. Ao mesmo tempo, o Parlamento iraniano debate medidas que incluem o fechamento do estreito, importante rota de exportação de petróleo.
Ali Khamenei, líder supremo do Irã, adotou uma postura de reclusão. Com 86 anos, ele reduziu aparições públicas e passou a despachar de um local seguro, segundo relatos internos. A movimentação reforçou especulações sobre sua saúde e sobre um possível plano de sucessão já em curso, em um momento de pressão crescente tanto interna quanto externa.
O comando das ações militares tem sido atribuído a membros do alto escalão das Forças Revolucionárias, que operam sob orientação direta de Khamenei. Os ataques a Israel foram apresentados como uma resposta proporcional, evitando até agora confrontos diretos com alvos americanos. Essa escolha estratégica tem o objetivo de manter a retaliação dentro de uma escala controlada, evitando uma guerra aberta com os Estados Unidos.
Enquanto isso, o governo iraniano busca apoio internacional para reforçar sua posição. Conversas foram iniciadas com aliados estratégicos como Rússia e China, em busca de respaldo diplomático e possíveis acordos comerciais que possam mitigar o impacto das sanções. Internamente, manifestações contra e a favor das ações governamentais indicam um cenário de tensão social, agravado pela perspectiva de instabilidade caso a sucessão de Khamenei se torne necessária de forma repentina.
Fonte: Wikipedia.