A escalada recente do conflito entre Estados Unidos e Irã gerou uma forte reação da China e da Rússia no cenário internacional. Após os ataques norte-americanos às instalações nucleares iranianas, o governo chinês emitiu uma nota exigindo a interrupção imediata das hostilidades e alertou para o impacto direto sobre a segurança da cadeia global de abastecimento de petróleo. Os bombardeios, anunciados por Donald Trump, elevaram a tensão diplomática em um momento em que o Oriente Médio já enfrentava instabilidade significativa.
Pontos Principais:
Na mesma linha, a Rússia classificou a ofensiva norte-americana como uma ação injustificada e alertou sobre os riscos à segurança internacional. A preocupação principal se concentra no Estreito de Ormuz, rota estratégica pela qual transita uma fração considerável do petróleo exportado mundialmente. A China, que importa cerca de um terço de seu petróleo por essa passagem, indicou que o prolongamento do conflito pode comprometer o fornecimento de energia e provocar efeitos prolongados na economia global.
O governo iraniano respondeu aos ataques com uma série de declarações firmes, entre elas a aprovação, pelo parlamento, de uma medida para fechar o Estreito de Ormuz. A decisão ainda depende do aval do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. Enquanto isso, Teerã reforçou seu posicionamento de resistência, indicando que considera todos os meios possíveis para proteger sua soberania diante da ação militar estrangeira.
Os Estados Unidos anunciaram, por meio do presidente Donald Trump, a execução de ataques contra três instalações nucleares iranianas: Fordow, Isfahan e Natanz. O anúncio foi feito na noite do sábado, e o Pentágono confirmou que as estruturas sofreram danos severos. O Irã afirmou que conseguiu evacuar equipamentos antes dos bombardeios, mas não forneceu detalhes técnicos sobre o que foi preservado.
Os locais atingidos são considerados estratégicos para o desenvolvimento nuclear iraniano. Fordow, por exemplo, fica a cerca de 95 quilômetros da capital Teerã e opera de forma subterrânea, o que tradicionalmente dificulta ações ofensivas contra a unidade. O ataque representou uma mudança significativa na postura dos Estados Unidos, que até então evitavam envolvimento direto em ações bélicas na região.
A decisão norte-americana de realizar o ataque com o uso de armamentos de penetração gerou preocupações sobre a possibilidade de resposta iraniana em diferentes frentes. A pressão sobre o Irã também ocorre em um contexto em que o país vem sendo alvo de sanções econômicas e enfrenta dificuldades diplomáticas em fóruns multilaterais.
A China expressou preocupação com o impacto do conflito sobre a estabilidade do fornecimento de petróleo. Como o país mais dependente da rota que passa pelo Estreito de Ormuz, Pequim teme que uma interrupção prolongada afete não apenas sua segurança energética, mas também o comércio global. A declaração oficial mencionou que a estabilidade da região é uma prioridade comum da comunidade internacional.
Autoridades chinesas também ressaltaram que a segurança no Golfo Pérsico deve ser mantida, uma vez que qualquer interrupção nesse fluxo logístico impactaria diretamente o setor produtivo, especialmente em países que não possuem alternativas de abastecimento. Ainda que a China conte com reservas estratégicas e fontes alternativas como a Rússia, a importância de Ormuz continua central para seus interesses econômicos.
Economistas no país projetam que um aumento de 40% no preço do barril de petróleo, levando-o à faixa de 100 dólares, poderia provocar uma retração no Produto Interno Bruto entre 0,4 e 1,2 ponto percentual. A perspectiva é de que o impacto direto seja limitado pela diversificação energética chinesa e pelo cenário interno de deflação, que reduz a sensibilidade ao preço entre consumidores locais.
No Conselho de Segurança da ONU, os embaixadores da China, Rússia e Paquistão se posicionaram contra os ataques dos Estados Unidos e anunciaram que irão apresentar uma proposta conjunta de resolução para restaurar a paz na região. O representante russo, Vasily Nebenzya, afirmou que Washington estaria colocando os interesses de aliados acima da estabilidade internacional e da segurança das populações civis.
A China, em tom mais contido, também defendeu uma resposta coordenada e propôs um cessar-fogo imediato, com liderança do governo israelense no processo de contenção. A iniciativa foi respaldada por diplomatas de outros países que consideram a escalada um risco não apenas militar, mas também geopolítico, por conta das possíveis reconfigurações de alianças no Oriente Médio.
Enquanto isso, nos bastidores da diplomacia internacional, a expectativa gira em torno da proposta mencionada por Xi Jinping em ligação com Vladimir Putin. Trata-se de uma solução baseada em quatro pontos para interromper o ciclo de confrontos diretos entre Irã e Israel, com mediação multilateral. Os detalhes da proposta ainda não foram divulgados, mas já despertam interesse entre os membros permanentes do Conselho.
O Irã, por sua vez, reforçou a retórica de enfrentamento. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, declarou que o país “reserva todas as opções” para proteger seus interesses e seu povo. A fala reforça a disposição de Teerã de manter sua posição estratégica e evitar concessões que enfraqueçam sua presença regional.
Internamente, o parlamento iraniano sinalizou uma disposição inédita ao aprovar o fechamento do Estreito de Ormuz. Embora a medida ainda careça da autorização do líder supremo, a movimentação evidencia o grau de tensão instalado entre o Irã e as potências ocidentais. O fechamento efetivo da hidrovia seria interpretado como uma retaliação direta à ação dos Estados Unidos.
Especialistas observam que o posicionamento firme do Irã pode indicar um prolongamento do conflito, o que dificultaria soluções diplomáticas em curto prazo. A resistência à mediação internacional e a manutenção de testes militares em áreas estratégicas reforçam a percepção de que o país não pretende recuar sem garantir condições mínimas para preservar sua autonomia.
O envolvimento direto dos Estados Unidos reacende o debate sobre sua política externa na região. Ao atacar alvos nucleares em território iraniano, Washington assume um papel ativo no conflito, o que pode provocar reposicionamentos estratégicos entre países vizinhos. Ao mesmo tempo, o foco americano no Oriente Médio pode reduzir a pressão diplomática sobre outras áreas, como o Sudeste Asiático.
Analistas internacionais avaliam que o movimento de Trump visa não apenas responder ao Irã, mas também testar sua base de apoio doméstico em um ano politicamente sensível. A presença militar e os desdobramentos do ataque devem ocupar espaço relevante nas discussões de segurança e defesa ao longo dos próximos meses.
Enquanto isso, aliados tradicionais dos Estados Unidos adotam posturas cautelosas. Ainda que reconheçam o direito norte-americano à autodefesa, muitos evitam declarar apoio explícito aos bombardeios, diante do temor de que o conflito ultrapasse as fronteiras iranianas e provoque um efeito dominó em países do Golfo.
Fonte: Bloomberglinea e Poder360.