A Renault colocou um ponto final na disputa pelo topo do mercado francês em 2025 ao fazer do Clio o carro mais vendido do país, com 101.892 unidades, uma vantagem ampla e rara sobre todos os rivais.
O resultado chama atenção porque veio em um ano ruim para a indústria. O mercado francês fechou 2025 com 1,63 milhão de carros vendidos, queda de 5% em relação a 2024. Mesmo assim, o Clio cresceu, nadando contra a corrente e deixando claro que a liderança não foi circunstancial, mas construída em volume consistente mês após mês.
A distância para o segundo colocado explica o tamanho do feito. O Peugeot 208 terminou o ano com 73.092 emplacamentos, quase 29 mil a menos que o Clio. Em um mercado tradicionalmente equilibrado, essa diferença foge do padrão e expõe uma mudança real no comportamento do consumidor francês.
Parte do cenário passa pelos elétricos. Em 2025, eles chegaram a 20% de participação de mercado, acima dos 17% dos anos anteriores, impulsionados por novos incentivos e pela retomada do leasing social. Ainda assim, o carro mais vendido do país não foi elétrico. Foi um hatch conhecido, com proposta clara e preço compreendido pelo público, o que ajuda a explicar por que tanta gente continuou escolhendo o Clio.
Para a Peugeot, o ano deixou um gosto amargo. As vendas do 208 caíram mais de 17%, mesmo com a oferta de versão elétrica. Houve forte uso de emplacamentos táticos no fim do ano, sinal de dificuldade para sustentar a demanda real. O desafio agora é grande, garantir que a próxima geração do modelo chegue com argumentos suficientes para recuperar espaço.
O curioso é que a própria Peugeot foi melhor em outros segmentos, como revelou o Terra. O 3008 teve desempenho sólido e mostrou fôlego, apesar dos problemas de fornecimento de baterias que afetaram o e-3008. Já o Grupo Renault viveu um ano quase ideal no volume total, com o sucesso do Clio e a boa estreia do novo R5 elétrico, que rapidamente ganhou relevância no ranking.
Nem tudo, porém, foi positivo. O Dacia Sandero, outro pilar histórico de vendas, caiu 15% e perdeu distância para o Citroën C3. A liderança ainda se mantém, mas o alerta está ligado. O Jogger também decepcionou, com retração de 34%, mostrando que o mercado francês ficou mais seletivo, mesmo nos segmentos mais acessíveis.
O balanço final de 2025 deixa uma mensagem clara. Em meio a incentivos, eletrificação e incertezas econômicas, venceu quem entregou confiança, previsibilidade e um produto afinado com a rotina de quem dirige. O Clio não ganhou por tendência, ganhou por consistência. Vitória sem contestação em um dos anos mais duros para o setor.