Honda Fit muda o visual na China, baixa preço para cerca de R$ 50 mil e tenta reagir ao avanço dos elétricos com lote limitado de 3.000 carros. hoje no Brasil já!
O Honda Fit voltou ao centro das atenções em 19 de janeiro de 2026 ao ser apresentado na China com um visual totalmente redesenhado e preço inicial de apenas 66.800 yuans, algo em torno de R$ 51 mil em conversão direta, numa tentativa clara da marca de estancar a perda de espaço para os elétricos no maior mercado automotivo do mundo.
Não é apenas uma reestilização cosmética. A dianteira com faróis afilados, assinatura em LED e recortes geométricos rompe com a identidade suave que sempre marcou o Fit e aproxima o hatch da estética dominante nas ruas chinesas, dominadas por marcas locais como BYD, GAC e Geely. O resultado é um carro que, à primeira vista, já não parece o mesmo compacto urbano conhecido no Brasil até 2021, quando saiu de linha por aqui, mas um produto moldado para disputar atenção em vitrines cada vez mais agressivas.
Produzido pela joint venture GAC-Honda, o novo Fit cresce levemente e chega a 4,17 metros de comprimento, mantendo a proposta de espaço interno inteligente que construiu sua reputação global, com mais de 9 milhões de unidades vendidas em duas décadas. Por dentro, o ambiente continua funcional, com painel digital de 7 polegadas, multimídia de 10,1 polegadas e acabamento simples, sem luxo, mas com a ergonomia típica da marca.
Debaixo do capô, nenhuma ousadia. O conjunto segue com o conhecido 1.5 aspirado de até 123 cv, câmbio CVT e promessa de autonomia superior a 700 km com um tanque, uma escolha conservadora num mercado que acelera rumo à eletrificação total. A ausência de qualquer sistema híbrido reforça que o foco aqui não é tecnologia de ponta, mas preço e sobrevivência comercial.
A estratégia fica ainda mais clara quando se olha para o volume: apenas 3.000 unidades. É um lote de teste, quase um termômetro para medir se ainda há espaço para um compacto a combustão, simples e barato, em meio a um oceano de elétricos urbanos cada vez mais acessíveis.
Para quem acompanha a trajetória do Fit, a sensação é de ver um velho conhecido tentando se reinventar para não desaparecer. Ele mudou de rosto, ficou mais barato e aceitou jogar conforme as regras chinesas. Resta saber se esse novo visual, que muitos já chamam de “cara de carro chinês”, será suficiente para devolver relevância a um nome que fez história, mas que agora precisa provar que ainda tem fôlego em um mercado que mudou de forma radical.