Quando chega o novo Honda Fit no Brasil?

Honda Fit no Brasil: nova versão simplificada e barata do Honda Fit é exclusiva para o mercado chinês
Publicado por em Mundo dia | Página 5/5
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O Honda Fit reapareceu em 2026 no noticiário ao surgir barato na China e, imediatamente, despertou no Brasil um sentimento que vai além da curiosidade: saudade. Saudade de um carro que marcou época, construiu reputação e, mesmo fora das concessionárias há anos, continua muito vivo no mercado de usados.

O Fit chegou ao país em 2003, ainda importado, em um cenário dominado por hatches compactos simples e pouco espaçosos. Ele trouxe outra lógica: posição de dirigir elevada, cabine ampla, soluções inteligentes e um jeito de carro “maior do que parece”. Em 2009, passou a ser produzido em Sumaré (SP) e se popularizou de vez, virando presença comum em garagens de famílias, profissionais liberais e motoristas que queriam conforto sem migrar para sedãs grandes.

Foram quase 18 anos de trajetória até a despedida como zero-quilômetro, em 2021. Saiu de cena sem sucessor direto e deixou uma lacuna clara: a de um compacto versátil, confiável e com imagem de carro que “não incomoda”. Não era esportivo, não era barato, não era luxuoso. Era simplesmente certo.

No mercado de usados, essa fama se transformou em ativo. O Fit é hoje um dos hatches mais valorizados fora de linha. Vende rápido, mantém preço e costuma ser disputado quando aparece em bom estado. As gerações nacionais, especialmente entre 2014 e 2021, são vistas como apostas seguras, com procura constante e liquidez acima da média.

Ano/Período Valor médio FIPE
Fit 2008 R$ 32 mil
Fit 2013 R$ 52 mil
Fit 2015 R$ 60 mil a R$ 64 mil
Fit 2020 R$ 74 mil a R$ 86 mil
Fit 2021 R$ 76 mil a R$ 88 mil

Esses números ajudam a explicar por que o Fit virou objeto de respeito no mercado de segunda mão. É visto como carro “de família que cuida”, com mecânica durável, boa ergonomia e envelhecimento digno. Não é raro encontrar unidades com alta quilometragem ainda valorizadas, sustentadas pela confiança construída ao longo dos anos.

O novo Fit chinês, com preço equivalente a R$ 51 mil, funciona quase como um espelho do passado. Ele lembra ao brasileiro que ainda existe espaço para um compacto simples, espaçoso e honesto. Mas também deixa claro que esse tipo de produto hoje nasce para outros mercados, em outras condições.

Trazer esse carro de volta ao Brasil exigiria adaptação técnica, estrutura industrial e, sobretudo, uma mudança de posicionamento da marca em um mercado que ficou mais caro, mais regulado e menos tolerante a produtos de baixo volume.

Por isso, a tendência é que o Fit continue vivendo aqui do jeito que já vive: como um usado desejado, bem-cuidado e valorizado, passando de garagem em garagem. O modelo que marcou uma geração dificilmente voltará como novo, mas segue firme como referência de um tempo em que compacto também podia ser completo.

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Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.