Os Estados Unidos formalizaram nesta terça-feira (22) sua saída da Unesco, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura. O anúncio foi feito pela porta-voz do Departamento de Estado, Tammy Bruce, que justificou a medida alegando que a continuidade na entidade não seria compatível com os interesses nacionais americanos.
A decisão representa mais um passo do governo Trump em sua estratégia de desengajamento dos principais órgãos internacionais. Segundo o comunicado, a Unesco “promove causas sociais e culturais conflitantes com os princípios da atual política externa”, além de manter “um foco desmedido” nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, considerados pela atual gestão como parte de uma agenda “globalista”.
Fundada em 1945, após o fim da Segunda Guerra Mundial, a Unesco foi criada para fomentar a paz por meio da cooperação internacional em áreas-chave como educação, ciência e cultura. Entre suas ações mais conhecidas está a definição de patrimônios mundiais, como o Grand Canyon, nos EUA, e as ruínas de Palmira, na Síria. A saída dos EUA enfraquece diretamente o orçamento da entidade, já que o país ainda representa cerca de 8% do financiamento total da organização.
Trump já havia promovido uma série de rupturas institucionais durante seu primeiro mandato, entre 2016 e 2020. Na época, retirou os EUA da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Conselho de Direitos Humanos da ONU, do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas e do pacto nuclear com o Irã. Todas essas decisões foram revertidas por Joe Biden em seu governo, entre 2021 e 2024, incluindo o retorno formal à Unesco.
Agora, com Trump de volta à Casa Branca, os Estados Unidos já anunciaram novamente sua saída da OMS, além da suspensão do financiamento à UNRWA, a agência da ONU de assistência a refugiados palestinos. Segundo o Departamento de Estado, essas decisões fazem parte de uma revisão mais ampla da atuação americana em instituições multilaterais, cujo relatório final deve ser divulgado em agosto.
A relação dos EUA com a Unesco sempre foi marcada por altos e baixos. Em 1984, o país se retirou da organização sob alegação de má administração financeira e viés antiamericano. O retorno ocorreu em 2003, com o então presidente George W. Bush afirmando que a entidade havia realizado reformas estruturais suficientes para justificar a reintegração.
Desde a década de 1980, a contribuição financeira dos EUA à Unesco sofreu sucessivas reduções. O país, que já foi responsável por mais de 20% do orçamento da organização, hoje colabora com menos da metade disso. A nova retirada amplia esse descompromisso e pode impactar diretamente programas culturais e educacionais em países em desenvolvimento.