Na pequena aldeia de Bucharwada, em Diu, um homem vive cercado por silêncio, pesadelos e uma culpa impossível de explicar. Vishwash Kumar Ramesh, 40 anos, é o único sobrevivente da queda do Boeing 787 da Air India, que explodiu logo após a decolagem em Ahmedabad, no fim de junho. Desde então, ele tem tentado se esconder do mundo e da própria mente.
Ele não fala sobre o acidente. Mas fala dormindo. Sonha que está de volta ao voo, preso no mesmo assento 11A, observando — impotente — os passageiros morrerem à sua frente. Às vezes, acorda gritando. Outras vezes, não consegue dormir. Os médicos dizem que é estresse pós-traumático. A família chama de milagre. Ele chama de inferno.
Vishwash estava voltando ao Reino Unido, onde mora com a esposa e o filho, mas decidiu ficar na Índia. Agora vive na casa do irmão — o mesmo irmão que estava do outro lado da aeronave e que morreu na colisão. Os dois passavam temporadas juntos no país durante a época de pesca. No dia do acidente, voltavam para casa. Só um chegou.
A investigação preliminar revelou que os motores do avião foram desligados por engano. Um dos pilotos teria ativado os botões de corte de combustível durante a decolagem, sem perceber. O outro perguntou o motivo. “Não fui eu”, respondeu. O avião caiu minutos depois, matando 268 pessoas, incluindo 27 que estavam em casas atingidas na queda.
O silêncio que habita a nova rotina de Vishwash não é só sobre luto. É sobre vergonha. Ele foi visto cambaleando pelas ruas, coberto de sangue, pedindo ajuda, enquanto tudo ao redor pegava fogo. Não há glória no que ele viveu. Só um trauma tão grande que nem o tempo, nem as orações da mãe, nem os remédios conseguem apagar.
Enquanto isso, mais de 20 famílias entraram na Justiça para forçar a Air India a abrir os arquivos pessoais dos pilotos. Querem explicações, nomes, responsabilidades. Vishwash só quer dormir uma noite sem acordar achando que está caindo de novo.
Fonte: CNN e Noticiasaominuto.