A Amazon não entrou no mercado de esportes ao vivo para brincar. Desde 2022, a gigante do e-commerce vem montando silenciosamente um ecossistema robusto de transmissões esportivas no Brasil, com aquisições estratégicas como os direitos da Copa do Brasil, NBA, e, mais recentemente, partidas exclusivas do Brasileirão. O movimento culminou no primeiro semestre de 2025 com uma virada histórica: o Prime Video se tornou o maior serviço de streaming do país, com 22% de participação de mercado, superando a até então líder Netflix.
Esse dado vem do relatório trimestral da JustWatch, plataforma alemã que acompanha o comportamento dos usuários nas plataformas de vídeo. A pesquisa apontou que, enquanto o Prime Video cresceu 1% em relação ao trimestre anterior, a Netflix perdeu a mesma proporção. O avanço da Amazon pode parecer modesto em número, mas é simbólico: pela primeira vez, o consumo de esportes ao vivo puxou um serviço para o topo do ranking no Brasil.
A estratégia da Amazon envolve muito mais do que a aquisição de direitos. Ela firmou parceria com a Liga Forte União para garantir 38 jogos exclusivos por temporada do Campeonato Brasileiro até 2029, além de oferecer acesso integrado a outras plataformas como CazéTV, Premiere, Paramount+, Max (Champions League), NBA League Pass e NFL Game Pass. Em vez de competir com cada concorrente separadamente, a empresa se tornou um hub esportivo digital completo.
Com isso, a plataforma se tornou uma vitrine para os principais eventos esportivos consumidos no Brasil, sem abandonar o catálogo tradicional de filmes e séries. A conveniência de reunir tudo em um único serviço tem atraído um público que antes dependia da TV fechada, de vários aplicativos ou mesmo da pirataria esportiva. O Prime Video vem ocupando essa lacuna com uma proposta de valor sólida e orientada pela oferta ao vivo.
A Netflix, em contrapartida, manteve sua estratégia de investir em documentários esportivos — de alto padrão e sucesso global — como “Drive to Survive” (F1), “Quarterback” (NFL), entre outros. O foco, porém, não se traduz em presença ao vivo, o que a deixa em desvantagem no Brasil. Hoje, os eventos com transmissão mais relevante na plataforma são ligados à NFL, WWE e boxe, todos com menos penetração local. Mesmo com o anúncio da exibição da Copa do Mundo Feminina de 2027, o impacto imediato é limitado.
Ted Sarandos, presidente da Netflix, já afirmou que não pretende mudar o foco da empresa para brigar por direitos de transmissão. Isso reforça que, ao menos no curto prazo, a tendência é que a Amazon mantenha a dianteira no Brasil, sobretudo enquanto as competições nacionais e internacionais continuarem gerando audiência massiva.
Esse novo posicionamento da Amazon muda o equilíbrio no mercado brasileiro de streaming. Mais do que conquistar um novo público, a empresa entendeu o comportamento do torcedor nacional, que não quer esperar lançamento de série, mas sim acompanhar seu time em tempo real. Ao entender isso antes dos concorrentes, a Amazon garantiu sua vantagem competitiva no jogo da audiência digital.
Fonte: Maquinadoesporte e Primevideo.