Nos Estados Unidos, a expectativa de crescimento acelerado dos veículos elétricos começa a esbarrar em uma realidade menos promissora. Segundo a mais recente pesquisa realizada pela AAA, o índice de intenção de compra de carros elétricos entre os americanos caiu para apenas 16%, número que representa a menor adesão ao segmento desde o ano de 2019. O dado preocupa, sobretudo, diante do aumento de lançamentos e do crescimento da oferta de modelos por parte das montadoras.
Pontos Principais:
Ao contrário do cenário otimista pintado nos últimos anos, os consumidores americanos parecem mais céticos em relação à eletrificação. A rejeição a esse tipo de veículo chegou a 63% entre os entrevistados, um salto de mais de dez pontos percentuais em relação ao ano anterior. O cenário sugere que, mesmo com avanços relevantes na autonomia, desempenho e tecnologia dos modelos, a percepção pública não acompanhou a mesma evolução.
Entre os principais fatores apontados para esse desinteresse crescente estão o alto custo dos veículos elétricos, a percepção de que são voltados a uma parcela mais abastada da população, e a ausência de uma rede de recarga confiável, especialmente fora dos grandes centros urbanos. Esse conjunto de dificuldades práticas impõe barreiras reais à adoção em massa da eletrificação.
Além dos obstáculos técnicos e financeiros, o momento econômico norte-americano também pesa contra os elétricos. Em meio à inflação persistente e um clima de incerteza sobre o poder de compra, muitos consumidores evitam arriscar na aquisição de um bem ainda considerado novo e com revenda incerta. A falta de incentivos financeiros e programas públicos robustos também agrava essa hesitação.
As montadoras que apostaram fortemente na transição energética agora se veem diante de um impasse. Com o recuo no interesse, será necessário rever metas de eletrificação e estratégias comerciais. O ritmo de migração para o carro elétrico nos EUA se mostra, na prática, muito mais lento do que o planejado pelas marcas e pelo setor como um todo.
Especialistas destacam que a eletrificação não perdeu relevância, mas requer um realinhamento com as demandas e limitações do consumidor médio. A popularização dos elétricos dependerá menos da sofisticação dos produtos e mais da construção de uma infraestrutura sólida e da criação de um ecossistema que transmita segurança e viabilidade econômica ao comprador.
Enquanto outras regiões do mundo avançam com subsídios, legislações e políticas públicas agressivas para impulsionar os elétricos, os Estados Unidos mostram sinais de desaceleração. O contraste chama atenção e pode afetar a competitividade global das montadoras americanas, caso o país não acompanhe os padrões de transformação energética adotados em mercados como Europa e Ásia.
Fonte: Gizmodo, UOL, Noticiasautomotivas e Carscoops.