A General Motors quer vender no Brasil alguns dos maiores e mais famosos carros dos Estados Unidos, mas encontrou um obstáculo antes mesmo de colocar esses gigantes nas concessionárias: a legislação brasileira não reconhece automaticamente todas as regras de segurança usadas pelos norte-americanos, o que impede a chegada oficial de modelos como Cadillac Escalade, Chevrolet Tahoe e Suburban, além de abrir uma discussão sobre o possível retorno da GMC ao país.
O Cadillac Escalade é o exemplo mais claro dessa situação, pois o SUV de luxo já circula pelas ruas brasileiras por meio de importadores independentes, mas continua fora da rede oficial da GM porque sua configuração norte-americana não atende a todas as exigências nacionais, mesmo sendo um veículo vendido regularmente nos Estados Unidos.

A dificuldade aparece em algo que poucos compradores imaginariam ao olhar para um carro desse tamanho: os encostos de cabeça da última fileira de bancos, que não seguem a configuração exigida no Brasil, onde os automóveis de passeio precisam oferecer o equipamento para todos os ocupantes, uma diferença aparentemente pequena que acaba impedindo a fabricante de vender oficialmente um dos seus modelos mais conhecidos.
Adaptar o Escalade exclusivamente para o Brasil seria uma saída, mas o volume esperado de vendas não justificaria o investimento necessário para desenvolver uma solução específica, especialmente porque o país representa uma parcela pequena do mercado mundial desse tipo de SUV, tornando a mudança nas regras de homologação um caminho mais atraente para a empresa.
A GM trabalha para que o Brasil passe a reconhecer as normas de segurança dos Estados Unidos como válidas para determinados veículos importados, permitindo que modelos aprovados naquele país possam ser vendidos aqui sem alterações feitas apenas para atender a exigências diferentes, uma proposta que depende da avaliação e da aprovação dos órgãos reguladores brasileiros.

Fabio Rua, vice-presidente da GM na América do Sul, defende que uma diferença entre as regras brasileiras e norte-americanas não significa necessariamente que os automóveis dos Estados Unidos sejam menos seguros, argumento usado pela fabricante para tentar abrir espaço a uma linha de importados que atualmente encontra dificuldades para chegar às lojas.
O interesse vai muito além do Cadillac Escalade, porque a Chevrolet também poderia trazer o Tahoe e o Suburban, dois SUVs que fazem parte da vida norte-americana há décadas e que representam um tipo de automóvel pouco comum nas concessionárias brasileiras, com carrocerias enormes, motores V8 e espaço para transportar famílias grandes sem abrir mão da capacidade de levar bagagens.
O Tahoe seria uma das portas de entrada para essa nova família de importados, enquanto o Suburban ocuparia uma posição ainda mais extrema em tamanho, já que utiliza a mesma plataforma do irmão, mas tem carroceria e distância entre os eixos maiores, permitindo acomodar até oito pessoas com mais espaço para passageiros e bagagens.
O tamanho desses veículos chama atenção, mas existe uma vantagem importante para a operação brasileira da GM: parte da mecânica já é conhecida no país, principalmente pelos consumidores da Chevrolet Silverado, picape que utiliza um conjunto semelhante ao oferecido nos grandes SUVs norte-americanos.
Entre as opções disponíveis nos Estados Unidos está o motor V8 5.3 de 360 cv, também utilizado pela Silverado vendida no Brasil, além do V8 6.2 de 426 cv que equipava o Chevrolet Camaro, sempre acompanhado de câmbio automático de 10 marchas, combinação que ajudaria a reduzir a necessidade de apresentar uma mecânica completamente desconhecida ao mercado brasileiro.
A possibilidade de utilizar motores e transmissões já conhecidos não elimina a necessidade de homologação, mas ajuda a explicar por que a empresa considera esses SUVs candidatos para ampliar sua linha de importados, principalmente em um momento no qual a GM também prepara novos automóveis híbridos e elétricos de origem chinesa para a América do Sul.
Enquanto a China ganha importância nos planos de novos produtos da fabricante, os Estados Unidos continuam oferecendo veículos que representam uma parte importante da identidade da Chevrolet, especialmente picapes e SUVs grandes movidos por motores V8, uma combinação que permanece forte entre consumidores norte-americanos e que a empresa pretende explorar também no Brasil.
Outra marca que poderia aproveitar essa abertura é a GMC, divisão da General Motors conhecida por picapes e veículos comerciais, cuja presença brasileira terminou depois de uma passagem entre as décadas de 1990 e 2000, período em que vendeu caminhões e a picape 3500 HD.
O retorno da GMC poderia acontecer por meio da Sierra 1500, uma picape que compartilha sua base mecânica com a Chevrolet Silverado, mas oferece uma apresentação mais sofisticada, ocupando uma posição que permitiria enfrentar versões mais caras da Ford F-150 e da Ram 1500 no mercado brasileiro.

A Sierra 1500 poderia utilizar o mesmo V8 5.3 de 360 cv e o câmbio automático de 10 marchas da Silverado, aproveitando um conjunto já comercializado pela GM no país, embora sua chegada dependa tanto da questão regulatória quanto da decisão comercial de trazer novamente a marca para as concessionárias nacionais.
A diferença entre os planos para cada marca também mostra como a GM pretende trabalhar com públicos distintos, deixando o Escalade como representante dos SUVs de luxo da Cadillac, oferecendo Tahoe e Suburban para compradores interessados em espaço e motores grandes e reservando à GMC uma possível atuação entre as picapes de maior preço.
Nenhum desses veículos teve lançamento brasileiro confirmado, e a proposta de mudança nas regras ainda precisa avançar junto aos órgãos responsáveis, portanto não há preços, datas de estreia ou versões nacionais anunciadas para Escalade, Tahoe, Suburban e Sierra 1500.
O que está em discussão é a possibilidade de abrir oficialmente as portas das concessionárias brasileiras para carros norte-americanos que hoje dependem de importadores independentes ou permanecem fora do país, uma mudança que poderia colocar lado a lado os novos elétricos chineses da GM e alguns dos maiores V8 produzidos pela fabricante nos Estados Unidos.
Com informações do AutoEsporte.


