A corrida global por minérios estratégicos mudou o ritmo da geopolítica e colocou o Brasil em um cenário de grandes decisões. Esses minerais são a base para tecnologias emergentes e a transição energética que molda o futuro econômico. O Brasil, com reservas consideráveis de terras-raras, lítio e nióbio, está no centro dessa disputa que envolve potências como China, Estados Unidos e Rússia.
Pontos Principais:
Com uma demanda crescente por minerais essenciais na fabricação de baterias, motores elétricos e equipamentos de alta tecnologia, o país se vê diante de um dilema: como sair do papel de exportador de matérias-primas e se tornar protagonista na cadeia de valor. O cenário atual é marcado pela exportação de produtos sem beneficiamento, enquanto a China concentra quase toda a capacidade global de refino e processamento desses recursos.
O Brasil precisa investir em tecnologias de refino e políticas que favoreçam a agregação de valor para transformar a abundância de reservas em uma vantagem competitiva de longo prazo. Isso significa criar condições para que os minerais estratégicos não sejam apenas extraídos, mas também processados e integrados em produtos que atendam à demanda global de inovação e energia limpa.
O país possui um dos maiores estoques de terras-raras do mundo, com mais de 22 milhões de toneladas. Projetos como o Serra Verde, em Goiás, já estão em operação, oferecendo as primeiras iniciativas para colocar o Brasil no radar de quem busca fontes seguras desses elementos. O projeto de Nova Roma, também em Goiás, traz outra perspectiva, com investimentos em argilas iônicas que prometem facilitar a extração e diversificar a produção.
Esse potencial desperta interesse internacional, mas ainda encontra barreiras internas, como falta de infraestrutura de transporte e carência de refinarias de alta capacidade. A maior parte das exportações segue como produto básico, o que limita o impacto positivo na economia e reforça a dependência de oscilações no mercado externo.
Para se beneficiar dessas reservas, o Brasil precisa garantir segurança jurídica, ampliar a capacidade de industrialização e equilibrar a exploração com práticas de conservação ambiental. Esse equilíbrio será decisivo para que o país se torne parte essencial da cadeia de fornecimento de tecnologias limpas e eletrônicos avançados.
A geopolítica dos minérios ganhou relevância à medida que a China consolidou seu domínio no refino e exportação de terras-raras. A posição chinesa garante influência em cadeias produtivas de setores que vão de energia renovável a veículos elétricos, criando preocupações em países que buscam maior autonomia. Os Estados Unidos têm reagido com acordos para diversificar suas fontes e evitar vulnerabilidades em setores críticos.
A Rússia, por outro lado, amplia parcerias em um movimento que desafia o equilíbrio de poder e reforça a importância dos minerais estratégicos como ferramenta de influência global. O Brasil, inserido nesse contexto, precisa encontrar o ponto de equilíbrio entre atender à demanda externa e criar valor interno, sem abrir mão do controle sobre suas reservas.
Esse novo cenário internacional coloca pressão sobre países que possuem as matérias-primas essenciais para a indústria moderna. Os minérios estratégicos deixaram de ser apenas elementos da tabela periódica para se tornarem peças-chave em negociações comerciais, políticas energéticas e estratégias de segurança nacional.
Para além da mineração convencional, o Brasil já busca alternativas para garantir um uso mais eficiente e sustentável desses recursos. Pesquisas em universidades exploram a reciclagem de terras-raras e metais a partir de lixo eletrônico, uma estratégia que pode reduzir impactos ambientais e fortalecer a cadeia de valor.
Essas iniciativas, somadas a investimentos em tecnologia e infraestrutura, podem consolidar o Brasil como um ator relevante na geopolítica dos minerais. Transformar reservas em soluções é o desafio que vai definir o papel do país nesse tabuleiro global e abrir novas oportunidades de desenvolvimento econômico.
Fonte: Unesp, USP, Terra e Bbc.