As montadoras brasileiras conquistaram uma vitória estratégica na disputa por espaço no mercado de veículos elétricos. O governo federal decidiu antecipar o aumento das tarifas de importação desses modelos, acatando um pedido da indústria nacional e rejeitando a proposta da fabricante chinesa BYD, que pedia a manutenção de incentivos temporários para importar carros desmontados.
Representadas pela Anfavea, a associação que congrega as montadoras no país, as empresas haviam enviado uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda em junho, alertando para os riscos de flexibilizar a taxação. O documento destacava que investimentos bilionários e empregos estariam em jogo, caso a BYD tivesse sua solicitação atendida.
O centro da disputa estava no prazo para aplicar a alíquota de 35% sobre importações de veículos elétricos ou híbridos desmontados. O governo havia estabelecido julho de 2028 como limite para essa elevação. No entanto, a Anfavea pediu que o prazo fosse encurtado para julho de 2026, com o objetivo de preservar a competitividade das empresas que produzem no Brasil.
Na quarta-feira (30), o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, anunciou a antecipação do cronograma em um ano e meio. A medida altera as regras para importação em modalidades SKD (semi-desmontado) e CKD (completamente desmontado), que agora terão cota limitada de valor e prazo curto para aplicação de tarifa reduzida.
Segundo Igor Calvet, presidente da Anfavea, a decisão preserva os princípios da política industrial brasileira ao valorizar inovação local e empregos qualificados. Para ele, um prazo de seis meses com tarifa reduzida é o máximo tolerável, sem comprometer os aportes previstos no setor, que somam R$ 180 bilhões nos próximos anos.
A Anfavea deixou claro que espera o encerramento definitivo das discussões sobre eventuais isenções para importadores, sinalizando resistência a qualquer futura flexibilização. O posicionamento da entidade indica um alinhamento firme com a agenda de reindustrialização e proteção da cadeia produtiva nacional.
A disputa com a BYD ocorre em um momento de expansão da marca chinesa no Brasil, que tem investido em unidades locais e pressionado por condições fiscais mais vantajosas para acelerar sua inserção no mercado. O desfecho da decisão do Gecex evidencia a força política e institucional da indústria automobilística instalada no país frente a concorrentes estrangeiros emergentes.
Fonte: Agenciabrasil.