O programa Carro Sustentável, lançado em julho de 2025, tem provocado mudanças significativas no mercado automotivo brasileiro. A medida reduz o IPI para veículos populares, como Volkswagen Polo, Fiat Mobi e Renault Kwid, gerando um aumento imediato nas vendas. Segundo a Anfavea, o crescimento foi de 16,7% nas primeiras semanas, consolidando um impacto positivo no curto prazo.
A demanda aquecida refletiu também na produção. Nos sete primeiros meses do ano, a indústria registrou aumento de 6,1% no volume de veículos produzidos no Brasil, saltando de 1.384.602 unidades em 2024 para 1.469.326 em 2025. Apenas na comparação entre junho e julho, a alta foi de 15,7%.
No entanto, a Anfavea revisou para baixo a projeção de emplacamentos no mercado interno. A expectativa inicial era de um crescimento de 6,6% em 2025, mas o número foi ajustado para 5,6%. Isso representa uma queda de 100 mil unidades em relação à previsão anterior, totalizando agora 2,5 milhões de veículos esperados até dezembro.
Por outro lado, a exportação de veículos brasileiros é o ponto de maior otimismo. A entidade estima que 518 mil unidades — leves e pesadas — serão enviadas ao exterior neste ano. Isso representa um avanço expressivo em relação às 405 mil previstas anteriormente, com destaque para os embarques à Argentina.
Com o aumento da produção voltada ao mercado internacional, cerca de 20% da capacidade das fábricas está destinada às exportações, superando os 14% registrados em 2024. Esse crescimento também teve efeito direto sobre o emprego no setor automotivo: em julho, foram criados 400 novos postos de trabalho, revertendo dois meses consecutivos de cortes.
A indústria automotiva atualmente emprega 109,1 mil pessoas no Brasil. Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, o programa do governo ajudou a reaquecer o mercado e impulsionar as contratações, embora o foco esteja mudando para atender à demanda externa.
Além dos impactos diretos, a revisão nas projeções da entidade considera um cenário econômico desafiador, com PIB estimado em 2,3%, taxa básica de juros mantida em 15% e taxa de desemprego em declínio. A combinação desses fatores influencia a dinâmica do setor, exigindo cautela por parte da indústria.