Programa Carro Sustentável: IPI menor muda mercado em poucas semanas, mas projeção da indústria recua

Carro Sustentável aumentou as vendas de populares em 16,7%, mas a Anfavea reduziu a previsão de crescimento para 5,6%. Exportações ganham protagonismo no setor.
Publicado por em Negócios dia

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O programa Carro Sustentável, lançado em julho de 2025, tem provocado mudanças significativas no mercado automotivo brasileiro. A medida reduz o IPI para veículos populares, como Volkswagen Polo, Fiat Mobi e Renault Kwid, gerando um aumento imediato nas vendas. Segundo a Anfavea, o crescimento foi de 16,7% nas primeiras semanas, consolidando um impacto positivo no curto prazo.

Pontos Principais:

  • Vendas de carros populares subiram 16,7% com o programa Carro Sustentável.
  • Produção nacional cresceu 6,1% entre janeiro e julho de 2025.
  • Anfavea reduziu a previsão de vendas internas de 6,6% para 5,6%.
  • Exportações devem atingir 518 mil unidades, com foco na Argentina.
  • Setor criou 400 vagas em julho, revertendo tendência de cortes.

A demanda aquecida refletiu também na produção. Nos sete primeiros meses do ano, a indústria registrou aumento de 6,1% no volume de veículos produzidos no Brasil, saltando de 1.384.602 unidades em 2024 para 1.469.326 em 2025. Apenas na comparação entre junho e julho, a alta foi de 15,7%.

Com o IPI reduzido, modelos populares como Polo e Mobi registraram alta nas vendas em julho, alcançando um aumento de 16,7% em poucas semanas.
Com o IPI reduzido, modelos populares como Polo e Mobi registraram alta nas vendas em julho, alcançando um aumento de 16,7% em poucas semanas.

No entanto, a Anfavea revisou para baixo a projeção de emplacamentos no mercado interno. A expectativa inicial era de um crescimento de 6,6% em 2025, mas o número foi ajustado para 5,6%. Isso representa uma queda de 100 mil unidades em relação à previsão anterior, totalizando agora 2,5 milhões de veículos esperados até dezembro.

Por outro lado, a exportação de veículos brasileiros é o ponto de maior otimismo. A entidade estima que 518 mil unidades — leves e pesadas — serão enviadas ao exterior neste ano. Isso representa um avanço expressivo em relação às 405 mil previstas anteriormente, com destaque para os embarques à Argentina.

Com o aumento da produção voltada ao mercado internacional, cerca de 20% da capacidade das fábricas está destinada às exportações, superando os 14% registrados em 2024. Esse crescimento também teve efeito direto sobre o emprego no setor automotivo: em julho, foram criados 400 novos postos de trabalho, revertendo dois meses consecutivos de cortes.

A indústria automotiva atualmente emprega 109,1 mil pessoas no Brasil. Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, o programa do governo ajudou a reaquecer o mercado e impulsionar as contratações, embora o foco esteja mudando para atender à demanda externa.

Além dos impactos diretos, a revisão nas projeções da entidade considera um cenário econômico desafiador, com PIB estimado em 2,3%, taxa básica de juros mantida em 15% e taxa de desemprego em declínio. A combinação desses fatores influencia a dinâmica do setor, exigindo cautela por parte da indústria.

Fonte: Gov e G1.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.