Desde que Donald Trump oficializou o aumento para 50% das tarifas sobre produtos brasileiros, muitos criadores de conteúdo, blogueiros e youtubers no Brasil passaram a se questionar se isso também afetaria seus recebimentos pelo Google AdSense. O temor, compreensível, surge da ideia de que qualquer transação com origem nos Estados Unidos estaria agora sujeita a bloqueios, sobretaxas ou mudanças nas regras de envio.
Mas a verdade é que, por ora, os pagamentos via Google AdSense não estão incluídos na lista de itens atingidos pela medida. A tarifa assinada por Trump se aplica estritamente à importação de produtos físicos — como aço, carne bovina, alumínio e aviões. Serviços digitais, plataformas online e transferências financeiras de remuneração por anúncios continuam fora do escopo tarifário do decreto publicado nesta quarta-feira (30).
Isso significa que criadores de conteúdo no Brasil que ganham em dólar por visualizações de sites ou vídeos monetizados com publicidade internacional podem continuar recebendo seus valores normalmente. O Google mantém seus pagamentos via transferências bancárias ou remessas internacionais, e até o momento não houve nenhuma restrição imposta pelos EUA nesse tipo de operação.
O que pode ocorrer, no entanto, é um impacto indireto — e gradual — se a guerra comercial entre os dois países escalar para o campo digital. Uma escalada mais agressiva, incluindo bloqueios tecnológicos ou medidas sobre o comércio de dados e serviços digitais, poderia eventualmente afetar plataformas como Google, Meta e outras grandes empresas de tecnologia que operam globalmente.
Além disso, eventuais reações do governo brasileiro, como adoção da Lei de Reciprocidade Econômica, também poderiam tensionar o cenário regulatório e causar mudanças no ambiente de negócios para empresas estrangeiras que operam no país. Por enquanto, porém, não há qualquer indício de alteração no fluxo de pagamentos digitais vindo dos EUA.
Outro ponto importante é que as transferências feitas pelo Google aos criadores brasileiros são tratadas como pagamentos de serviços prestados, com base em contratos digitais. Esses pagamentos estão amparados por acordos internacionais que seguem regras específicas, diferentes do comércio exterior de bens, onde as tarifas de importação ou exportação se aplicam.
A recomendação, portanto, é seguir acompanhando os desdobramentos com atenção, mas sem pânico. Criadores de conteúdo e editores de sites no Brasil continuam recebendo do Google sem qualquer obstáculo até o momento, e não há previsão imediata de alteração nesse processo por causa das tarifas impostas por Trump aos produtos físicos.