Sérgio Leite de Andrade, ex-presidente da Usiminas e um dos mais respeitados nomes da indústria siderúrgica brasileira, faleceu nesta segunda-feira, 14 de julho, em Belo Horizonte. A causa da morte não foi divulgada. Com 71 anos, ele ocupava até então o cargo de Vice-Presidente de Assuntos Estratégicos da empresa e era presidente do Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil. Também integrava o Conselho Estratégico da Fiemg e, desde maio, presidia o Conselho da Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais.
Natural de Belo Horizonte, Leite iniciou sua carreira na Usiminas em 1976, logo após concluir sua graduação em engenharia metalúrgica pela UFRJ. Ao longo de 49 anos de atuação na companhia, ocupou 15 cargos executivos. Desde 2008, fazia parte da diretoria estatutária da empresa e foi nomeado CEO em 2016, no auge da crise econômica brasileira e do setor siderúrgico. Foi sob sua liderança que a Usiminas enfrentou o fechamento parcial da usina de Cubatão (SP), mantendo apenas a laminação, para tentar conter os prejuízos.
Com formação altamente especializada, Sérgio Leite era mestre pela UFMG e tinha certificações internacionais como engenheiro e auditor da qualidade. Suas qualificações eram reconhecidas por entidades como a American Society for Quality (ASQ) e a Associação Brasileira de Controle da Qualidade (ABCQ), reforçando seu prestígio técnico em um setor historicamente exigente e conservador como o do aço.
Durante sua presidência, a Usiminas passou por um processo de reestruturação profunda. Além do corte de operações em Cubatão, a companhia enfrentou readequações logísticas, redução de custos, reconfiguração da cadeia de suprimentos e reequilíbrio das dívidas. A sua gestão foi marcada por decisões impopulares, mas consideradas necessárias para a sobrevivência da empresa, que na época enfrentava queda na demanda e margens apertadas.
Desde 2023, a Usiminas passou a ser controlada pelo grupo ítalo-argentino Ternium. Os outros acionistas do bloco de controle incluem a japonesa Nippon Steel e o fundo de previdência dos funcionários. A empresa mantém operações com destaque para a usina de Ipatinga (MG), no Vale do Aço, além de minas de ferro, centros de distribuição e unidades de beneficiamento espalhadas por vários estados brasileiros.
Mesmo após deixar a presidência executiva, Leite seguiu ativo nos bastidores do setor, com forte influência nos rumos da política industrial e da governança corporativa da siderurgia nacional. Em sua atuação recente como presidente do Instituto Aço Brasil, buscava fortalecer a competitividade da cadeia produtiva do aço, em meio a pressões externas e internas por modernização e sustentabilidade.
Nas redes sociais, como o LinkedIn, Leite se mostrava orgulhoso do caminho trilhado e do legado construído. Recentemente, compartilhou o lançamento da SLA Consulting, empresa criada por seu filho, voltada para consultoria e gestão estratégica, revelando o entusiasmo por ver a continuidade da atuação familiar em áreas de liderança, inovação e qualidade empresarial.
Fonte: Estadao e Istoedinheiro.