Morreu nesta segunda-feira (14) Sérgio Leite de Andrade, ex-presidente da Usiminas e figura central na história recente da indústria siderúrgica brasileira. A confirmação veio por meio da Rádio Itatiaia Vale do Aço e do Diário do Aço, veículos tradicionais da região. Reconhecido por sua trajetória de cinco décadas dentro da empresa, Leite foi um dos principais nomes do setor no país.
Formado em Engenharia Metalúrgica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com mestrado na mesma área pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ele iniciou sua carreira na Usiminas ainda jovem e ascendeu internamente até chegar ao posto máximo da companhia, em 2016. O engenheiro assumiu o comando em meio a um contexto desafiador, com disputas societárias, instabilidade econômica e forte pressão do mercado.
Durante sua gestão, Leite conduziu a reestruturação da companhia, costurando acordos estratégicos entre os acionistas Nippon Steel e Ternium e promovendo ajustes operacionais para garantir a competitividade da Usiminas. Internamente, seu nome era associado à estabilidade institucional e ao foco técnico nas decisões de médio e longo prazo.
Após deixar a presidência executiva em maio de 2022, ele permaneceu na empresa como integrante do Conselho de Administração, ampliando sua atuação institucional. Fora da Usiminas, Sérgio Leite teve papel ativo no Instituto Aço Brasil e também no Conselho da Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais (ABM), sendo referência técnica e de governança em fóruns nacionais do setor.
Ainda não há informações oficiais divulgadas pela família sobre a causa da morte, nem detalhes sobre velório ou sepultamento. A expectativa é que as cerimônias ocorram na região do Vale do Aço, onde ele construiu sua vida profissional e relações mais próximas.
Sua morte marca o fim de uma era para a siderurgia nacional. Nos bastidores do setor, era visto como um elo entre a tradição técnica da engenharia brasileira e a exigência crescente de governança corporativa em empresas de capital aberto. Seu estilo discreto, firme e pragmático o manteve como figura respeitada mesmo após deixar a presidência.
A trajetória de Leite também refletia a transição de uma indústria marcada por ciclos expansivos, crises e transformações tecnológicas. Em quase 50 anos, ele testemunhou — e protagonizou — mudanças profundas na estrutura da produção de aço no Brasil. Seu legado está impresso nas decisões que moldaram uma das maiores empresas industriais do país.
Fonte: Itatiaia.