A Receita Federal e a Polícia Federal apreenderam 400 canetas injetáveis destinadas ao emagrecimento, avaliadas em aproximadamente R$ 748 mil, na Ponte Internacional da Amizade, em Foz do Iguaçu. A carga estava escondida em um fundo falso no porta-malas de um carro com placas do Brasil, ocupado por dois casais brasileiros, com destino ao interior de São Paulo. O motorista assumiu a responsabilidade, mas todos foram levados à Polícia Federal.
Pontos Principais:
A operação conjunta revelou o maior volume já apreendido em via terrestre desse tipo de medicamento no país. Cada unidade da caneta, usada originalmente para controle de diabetes, custa cerca de US$ 340, ou R$ 1.870 na cotação atual. Ao serem usadas com a finalidade de emagrecimento, sem prescrição médica adequada, essas substâncias representam riscos significativos à saúde da população.
O transporte irregular também foi agravado pelo fato de os produtos não estarem refrigerados, condição necessária para garantir sua eficácia e segurança. As canetas foram encaminhadas à Alfândega da Receita Federal para análise detalhada. O caso reforça o alerta das autoridades sanitárias sobre o comércio ilegal e o uso indiscriminado de medicamentos hormonais injetáveis.
Esses medicamentos atuam por meio da ativação dos receptores GLP-1 e GIP, hormônios que agem no controle do apetite e da insulina. Por isso, seu uso é indicado exclusivamente sob supervisão médica e em contextos clínicos específicos. A aplicação sem orientação profissional pode causar efeitos adversos graves, especialmente em pessoas sem histórico de diabetes ou distúrbios metabólicos.
Em resposta ao uso crescente desses produtos com finalidade estética, a Anvisa endureceu a regulamentação. A nova regra exige prescrição em duas vias, com retenção obrigatória da receita nas farmácias, prática já adotada para antibióticos. A validade da receita será de até 90 dias, e a medida entrou em vigor neste mês, 60 dias após sua publicação.
O combate ao contrabando é uma das principais frentes da Receita Federal nas regiões de fronteira. Ao impedir a entrada de cargas irregulares, o órgão atua na defesa da saúde pública, do sistema regulatório e da legalidade comercial. Casos como este demonstram a persistência de redes ilícitas voltadas à importação de substâncias médicas sem registro ou controle.
A Receita reforça que medicamentos só devem ser adquiridos com receita válida, em farmácias autorizadas e conforme orientação profissional. Denúncias de comércio ilegal podem ser feitas de forma anônima. A importação irregular é crime federal, sujeito à apreensão dos bens e responsabilização judicial dos envolvidos.